Curso aborda sexualidade juvenil
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sábado, 07 de setembro de 2002
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Londrina - Informação sobre sexo eles têm, e muita. O que falta para os adolescentes, segundo especialistas, são pessoas que entendam que a sexualidade juvenil deve ser tratada de forma multidisciplinar, abrangendo seus desejos, sua intimidade e seus projetos sem preconceitos ou tabus.
Tentando difundir essa nova abordagem, foi realizado durante sexta-feira e ontem, em Londrina, o I Curso de Atualização em Sexualidade Clínica, coordenado pelo médico Fernando de Paula. Dirigido para psicólogos, pedagogos, enfermeiras e médicos, o evento discutiu temas como transtornos de identidade e preferência sexual, sexualidade ao longo da vida, abordagem da temática sexual na infância e na adolescência, principais disfunções sexuais na infância, adolescência e vida adulta, entre outros.
A psiquiatra Carmita Abdo, especialista em sexualidade clínica e coordenadora do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC/SP), aponta que o jovem atual tem grande quantidade de informação e conhecimento sobre formas de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e sobre os métodos contraceptivos. Porém, os jovens ainda colocam pouco em prática o que aprenderam.
Conforme a estudiosa, em pesquisa realizada com 1.200 adolescentes da rede pública e outros 1.800 da rede particular, foi constatado que 98% sabiam dos métodos preventivos. Enquanto isso, menos de 40% efetivamente usavam preservativos ou outros métodos em suas relações sexuais.
Mas a constatação mais importante da pesquisa foi outra: era preciso capacitar os professores para trabalhar melhor o tema com seus alunos. Depois que os docentes passaram por capacitação, a pesquisa voltou a ser aplicada e, desta vez, mais de 50% dos alunos disseram que passaram a se prevenir melhor durante suas relações. ''Mais que conhecer, é preciso trabalhar com pessoas resolvidas sexualmente, que entendam as demandas dos jovens'', comenta Abdo.
O médico mineiro Gerson Pereira Lopes, também especialista em sexualidade clínica, frisa que ''sexo seguro é sexo sem dor de cabeça, sem dor de cotovelo e sem dor de coração''. Para ele, as escolas fazem apenas o papel de repassar informações, que acaba não estimulando de fato a prevenção. ''Educar é um processo de dentro para fora, demorado e dinâmico. É preciso trabalhar as angústias juvenis e acabar com o sexismo, estabelecendo a igualdade entre o masculino e o feminino'', pontua Lopes.


