Curso aborda câncer em cães e gatos
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sábado, 27 de setembro de 2003
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
Teve início ontem pela manhã e vai até a tarde de hoje o Curso de Atualização em Oncologia Veterinária, ministrado no Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O evento recebeu mais de 60 inscrições e oferece seis palestras e um módulo prático sobre temas relacionados ao câncer em pequenos animais (cães e gatos): diagnóstico, tratamento e cirurgias.
É a primeira vez que a UEL sedia um curso do tipo. Segundo a professora Ana Paula Bracarense, coordenadora do evento, Londrina ainda sofre uma certa carência na área devido à falta de especialização. Não existem clínicas específicas para oncologia veterinária nem um espaço exclusivo para cirurgias. No ano passado, o projeto de extensão Oncopet, da UEL, foi encerrado depois que sua coordenadora se mudou para os Estados Unidos.
Ana Paula explica que o número de pequenos animais com câncer tem crescido, até porque cães e gatos estão vivendo cada vez mais. ''Existe mais cuidado, com alimentação, nas questões sanitárias. E estes animais têm maior predisposição para desenvolverem tumores a partir dos sete anos de vida'', afirma a professora.
A professora Noeme Rocha, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, conta que a maioria dos tumores incide sobre a pele, e eles surgem devido à idade, fatores genéticos e condições ambientais. Ela argumenta que existe uma evolução no atendimento em todo o Brasil, embora as condições ainda não sejam plenamente satisfatórias. ''Não existe, por exemplo, um centro de radioterapia veterinária no país. Mas o interesse vem crescendo e esta área deve atrair mais profissionais'', acredita.
Os tratamentos são relativamente caros: a veterinária Cláudia Cristina Boselli é dona da cadela boxer Duda, 12 anos. O animal já teve tumores na pata, dois na mama e um na pele. Cada um exigiu cirurgia, com valores médios de R$ 250 a R$ 300. Atualmente, a cadela faz quimioterapia devido a uma suspeita de câncer no tórax.
''Todos os tumores da Duda foram superficiais. Em casos mais profundos, as cirurgias podem chegar a custar R$ 1 mil'', relata a veterinária. Cláudia conta que já viu um caso em que o proprietário de um basset hound gastou R$ 2.500 em um ano e meio de tratamento. Os remédios da quimioterapia podem custar até R$ 200 por mês. ''Mas, se você decide ter um animal, tem que arcar com a responsabilidade. Precisa saber que ele vai exigir cuidados. Muita gente abandona cães e gatos quando o animal desenvolve algum tumor'', diz ela.
Segundo a veterinária, as raças de cães mais propensas a tumores são o dog alemão, o basset hound, o buldogue, o boxer e o pastor alemão. Entre os gatos, o siamês. Cláudia frisa que o câncer, ao contrário do que representa para os humanos, não tem tanta carga negativa para pequenos animais: sob tratamento, o ''paciente'' pode chegar a uma qualidade de vida normal.


