Milton DóriaSaia justaO professor e ex-delegado de polícia Mauro Ticianelli, da Universidade Estadual de Londrina, provocou o grupo com questões delicadas e polêmicas: ‘Vocês prenderiam o governador do Estado?’Diretor do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa), o professor convidado para dar o curso aos policiais, Mauro Ticianelli - que já foi delegado - levou inquietação ao grupo. ‘‘O policial é visto como esgoto da sociedade. Não há definição exata do exercício, das linhas, de até onde vão os limites.’’
Ticianelli questionou o grupo: ‘‘Se tivessem uma ordem para prender o governador do Estado vocês a cumpririam?’’ A pergunta foi feita para iniciar a discussão sobre o conflito existente entre a relação da Polícia com os poderes Executivo e Judiciário.
‘‘A ordem é para você prender o teu patrão que é o Poder Executivo. Se você não cumprir a ordem estará prevaricando. É um nó na cabeça para ser repensado.’’
Outras perguntas feitas aos policiais civis: Qual a função da polícia? Ela é repressiva? É preventiva ou judiciária? Como ficam os direitos humanos da vítima? E da família da vítima? Qual o inimigo natural da polícia? Quem é o adversário? O juiz? O promotor? Polícia pode fazer greve ou não?
Mauro Ticianelli entende a necessidade de questões como essas serem discutidas de maneira aberta, principalmente por quem tem a obrigação de proteger os direitos individuais e coletivos da sociedade.
‘‘Não há uma resposta pronta para todas as perguntas, não conhecemos a chave da verdade, mas é preciso conscientizar as pessoas para que cobrem o cumprimento de seus direitos humanos’’, disse. Reflexão necessária, ele observa, principalmente para quem, como os policiais, convive habitualmente com a violência.
(Luka Morais)

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