Cursinhos podem ir à Justiça pelo vestibular
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quinta-feira, 18 de outubro de 2001
Adriana De Cunto<br> De Londrina 
Proprietários de escolas particulares avaliam a possibilidade de entrar com uma medida judicial para garantir a realização do Vestibular de Verão da Universidade Estadual de Londrina (UEL) na data inicialmente prevista, de 6 a 9 de janeiro do ano que vem. O Conselho Universitário da UEL decidiu, anteontem, suspender o concurso por causa da greve dos docentes e servidores que já dura mais de 30 dias. A proposta de apelar à Justiça será discutida em reunião, sábado de manhã, por representantes de cursinhos de Londrina.
Os professores Renato Henrique Garezi, do Colégio Delta, e Carlos Alberto Bordin, do Sigma, acreditam que uma medida judicial pode ser uma boa solução para ''resguardar os estudantes''. Bordin, que é vereador pelo PPB, diz que os alunos têm dúvidas sobre como proceder. Para Renato Garezi, qualquer tentativa que possa provocar o cancelamento do vestibular ''é uma falta de bom senso''.
Na opinião do professor Marco Antonio de Mendonça, também do Sigma, a suspensão está criando um clima de instabilidade e quebrando o desenvolvimento normal das aulas. A professora Lorena Ferracini, do Colégio Delta, comenta que se o concurso for adiado, os cursinhos terão também que prolongar a sua programação. ''Não somos contra a greve. Hoje em dia não dá para um trabalhador ficar seis, sete anos sem aumento. Isso é uma irresponsabilidade desse governo estadual'', reclama Bordin.
Apesar do concurso estar suspenso, o prazo para as inscrições será respeitado e não há previsão de prorrogação. A assessoria de imprensa da UEL informa que elas podem ser feitas até hoje nas agências da Caixa Econômica Federal ou até o dia 21 de outubro, pela Internet. O Conselho Universitário decidiu que as inscrições só serão homologadas pela Comissão Permanente de Seleção (Copese) depois que o governo estadual negociar a reposição salarial aos professores e funcionários. Até ontem à tarde, a UEL não tinha informações sobre o número de inscritos.
A definição da data do concurso também ficou atrelada às negociações com o Estado. Se elas forem retomadas em breve, os grevistas acreditam que as provas possam acontecer no período de 6 a 9 de janeiro. O comando do movimento lembra que a preservação do calendário escolar também depende da reposição das aulas perdidas, o que só será feito se o Estado pagar o salário dos grevistas.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), George Hiraiwa, lembra que a suspensão não quer dizer cancelamento do vestibular. Ele reconhece que se as provas não acontecerem haverá um ''prejuízo financeiro incalculável'' para o setor hoteleiro, de restaurantes e transportes. ''Mas não podemos nos preocupar só com o lado comercial. Temos que pensar na UEL como patrimônio da cidade'', diz o presidente da Acil. ''Por isso é importante que a comunidade acompanhe o que está acontecendo e que o governo acene com uma expectativa de negociação'', ressalta.
Ontem à noite, representantes de vários segmentos da sociedade se reuniram no Cine-Teatro Ouro Verde para uma audiência pública sobre a greve da Universidade Estadual de Londrina. O reitor da UEL, Pedro Gordan, e membros do Conselho Universitário estariam presentes.


