Jovens carentes que encaram o curso universitário como forma de melhorar sua qualidade de vida, mas não têm recursos para pagar um cursinho pré-vestibular, podem contar com a ajuda de grupos de voluntários que dão aulas preparatórias. Na região, destacam-se pelo menos dois projetos: uma em Londrina e outra em Cambé.
Em Londrina, o cursinho especial pré-vestibular mantido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) registrou a classificação para a segunda fase de 142 dos 273 estudantes matriculados regularmente, ou seja, 52% do total. Outros 35 alunos (50%) que ocuparam vagas remanescentes no decorrer do ano também foram convocados.
Foram aprovados candidatos a vagas em Medicina, Medicina Veterinária, Design Gráfico, Moda, Administração, Enfermagem, História, Música e Educação Artística. ''Foi um desempenho muito bom, que deixou a nós todos muito contentes'', elogiou Rita de Cássia Rodrigues de Oliveira, coordenadora administrativa do cursinho.
Em Cambé (Norte), o cursinho gratuito implantado pela prefeitura funcionou por apenas dois meses (de outubro a dezembro) mas também conseguiu um bom número de classificados: 28 dos cerca de 80 que frequentaram as aulas continuam na disputa por uma vaga. A iniciativa conta com a parceria da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UEL (Fauel) e o Município fornece o espaço e paga as bolsas para os professores voluntários, que são os mesmos que atuam no cursinho da UEL.
O pioneirismo e o bom desempenho já chamaram a atenção de outras prefeituras da região que estudam a implantação de projetos semelhantes para alunos de baixa renda. Os alunos que não puderam pagar pelo material didático receberam os livros mesmo assim, mas terão de deixá-los para a turma de 2008. ''Para o ano que vem pretendemos iniciar as aulas no mais tardar até julho'', garantiu o coordenador Gabriel Cândido.
Entre os aprovados, a confiança toma conta. Candidato a uma vaga de Medicina Veterinária, João Pedro Sasse, 17 anos, termina o segundo grau este ano e é um estreante no vestibular. Ele disse que os dois meses de aula contribuíram para o bom resultado. ''Teve questão que a gente lia e pensava: essa eu vi no cursinho''. Ele apontou que o cursinho o ajudou a relembrar conteúdos que já tinha estudado em outros anos.
A colega dele, Vanessa Cristina Okimoto, 21 anos, já tinha tentado entrar na UEL em 2003 mas não passou. Trabalhando durante o dia mas ainda assim sem condições de pagar um curso privado, ela agradeceu que a oportunidade veio em boa hora. ''Como fazia um tempo já que estava parada, as aulas me ajudaram muito'', apontou. No cursinho gratuito, teve chance de se reaproximar dos conteúdos e não fez feio: está classificada para Serviço Social. Agora, é esperar 9 e 10 de dezembro, data da segunda fase do vestibular, para tirar a ''prova dos nove''.

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