Oportunidades iguais para os desiguais. A frase resume a motivação dos cursinhos gratuitos mantidos em Londrina com o objetivo de preparar estudantes carentes para o vestibular. A manutenção das aulas, porém, depende do idealismo e persistência de professores voluntários. Hoje, os vestibulandos têm pelo menos três alternativas para estudar de graça. Os preparatórios da Universidade Estadual de Londrina (UEL), União e Atitude atendem juntos aproximadamente 470 candidatos de todas as idades.
O idealismo e a persistência são características intrínsecas ao administrador de empresas Ederval Fernandes Guerreiro, 36 anos. Ele é o coordenador do Cursinho União, que funciona no prédio antigo da Escola Estadual Benjamin Constant, na Área Central de Londrina. O curso começou com um grupo de alunos que se reuniam para estudar juntos. Como um dos professores voluntários, Guerreiro ''tomou a frente do projeto'' em pouco tempo.
Por um tempo, as aulas foram ministradas no Centro e no Jardim União da Vitória (Zona Sul). Hoje, são 33 professores para 68 estudantes. A seleção é feita por análise das contas de água, luz e telefone. O índice de desistência é alto: 45%. ''Eles desistem por qualquer pretexto. Sempre arrumam desculpas para encobrir os próprios erros. Mas as aprovações que obtemos valem a pena'', avalia. Além das aulas todas as noites e aos sábados, são feitos plantões de dúvidas aos domingos.
Outro exemplo de voluntariado é o Cursinho Atitude. Formado por alguns professores que já trabalharam junto com Guerreiro, o curso começou a atender em março de 2004. Também é direcionado para pessoas de nível sócio-econômico bastante baixo. Conta com 23 professores voluntários e abre cem vagas por ano. Segundo o professor de biologia Johann Monteiro Portscheler, 22, o nível de desistência é elevado por causa de diversos tipos de dificuldades. ''Até alunos que não têm dinheiro para fazer a inscrição no vestibular'', revela.
Por outro lado, a dedicação dos alunos incentiva o trabalho voluntário. Mães com crianças na sala de aula e idosos que retomam os estudos são casos relativamente comuns. O Atitude funciona em sala do Caic da Zona Sul. No vestibular passado, foram quatro aprovados. A meta agora é dobrar este número.
Para o voluntário Guerreiro, o número de estudantes carentes atendidos só não é maior por falta de organização. ''Se mais gente tomar a iniciativa, existem professores dispostos a ajudar e alunos precisando'', garante. O banco de profissionais do União, por exemplo, tem 30 voluntários dispostos a ensinar de graça.

Serviço - Mais informações sobre os cursinhos gratuitos poem ser obtidas pelos telefones: UEL (3371-4719), União (3344-7712) e Atitude (3341-4622).

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