Ocupar um assento numa universidade pública ainda é raridade entre os estudantes mais carentes, que na corrida do vestibular acabam ultrapassados por outros que tiveram mais oportunidades de se preparar. Em Londrina, no entanto, o Cursinho União, gratuito, devolveu a esperança aos que estavam em desvantagem e conquistou fama de pé-quente no processo de seleção da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Mas esta história corre o risco de ter um ponto final. Professores e os 240 alunos têm até segunda-feira para deixar o prédio que ocupam, da Secretaria Municipal de Educação, e ainda não sabem para onde vão.
Administrador de empresas por formação e idealizador e coordenador do cursinho, Ederval Fernandes Guerreiro explicou que o projeto nasceu no Jardim União da Vitória (Zona Sul). E veio para o Centro há cinco anos para facilitar o acesso dos alunos, moradores de todas as regiões e até de cidades vizinhas.
O curso União se instalou no prédio onde funcionava o Colégio Estadual Benjamin Constant, no Centro Social Urbano (CSU). O imóvel pertencia ao Estado mas, dois anos depois, foi transferido para a Secretaria Municipal de Educação, que continuou cedendo o espaço mas com o aviso de que seria temporário, já que havia o projeto de usar o terreno para outro fim.
Agora, o prazo acabou. Guerreiro foi intimado a desocupar o prédio até a próxima segunda-feira. ''O projeto é social, dá retorno ao Município mas não posso criticar quem já me ajudou'', comentou Guerreiro, completando que a prefeitura cedeu um espaço na Super Creche por 40 dias para que a coordenação tenha um fôlego para locar outro imóvel.
A questão é que o cursinho é gratuito - cerca de 20% dos alunos contribuem com R$ 10,00 mensais para custear as despesas - e a grande parte dos matriculados não pode bancar o custo extra com o aluguel. ''Diria que entre 35% e 40% estão quase na escala de fome. Muitos são custeados por professores'', disse Guerreiro. Todos os 25 professores lecionam voluntariamente.
Para não fechar as portas, o professor disse que o cursinho precisará do apoio de empresários. ''Nosso foco tem que ser a iniciativa privada'', analisou. Ele encontrou um imóvel apropriado na Rua Ouro Preto, mas o aluguel é de R$ 1,7 mil. Guerreiro argumentou que o trabalho que desenvolve é de grande importância social: ''O União é o que mais aprova na UEL. No ano passado, 102 prestaram e 55 passaram. Hoje, há uma lista de espera de 170 cadastrados e, neste novo imóvel, poderíamos atender até 600 estudantes''.
Postulante a uma vaga em Jornalismo, a vendedora Cíntia Thomé, 20 anos, reforçou que o cursinho é a única opção para quase todos. ''As pessoas aqui só pedem uma oportunidade. Se o cursinho fechar, muitos vão abandonar os estudos porque, se hoje não conseguem nem quase pagar o ônibus para estudar, como vão pagar R$ 130,00 de cursinho?'', lamentou.
''A qualidade é muita boa e os professores dão o sangue por isso aqui'', valorizou o escriturário Noir Bento, 42, que vai disputar uma cadeira em Direito. Professora de Redação, Ana Martinez Soranso concluiu: ''A maioria é gente que trabalha o dia inteiro, sustenta a família e não teria outra condição para estudar''.

Serviço - Quem tiver interesse em ajudar o Curso União pode entrar em contato com Ederval Guerreiro pelo telefone (43) 3342-7712.

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