A reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL) está descentralizando o atendimento do cursinho pré-vestibular oferecido a alunos carentes. No início das aulas, previsto para 5 de março, as duas turmas de 150 alunos sediadas no campus da UEL darão lugar a sete turmas de 30 a 80 alunos - três delas no campus, três no Colégio de Aplicação (Centro) e uma no Hospital Universitário. Com a mudança, a reitoria pretende aumentar de 300 para 350 o total de alunos.
Segundo o vice-reitor, César Caggiano Santos, as alterações pretendem otimizar o cursinho. ''Um dos problemas é que as salas de 150 alunos dificultam o processo de aprendizagem. Outra questão é que podemos aumentar o número de horas aula dos 42 instrutores contratados'', afirmou. Os instrutores são estudantes da UEL que recebem bolsas para ministrar as aulas no cursinho. ''Nossos instrutores recebem por 940 horas, mas só temos 100 horas de aula. É evidente que o cursinho prepara as apostilas, tem atendimento aos alunos fora das aulas, mas se colocarmos tudo isso, não chega a 200 horas aula.'' Ainda de acordo com Caggiano, a turma que será aberta no HU tem por objetivo atender funcionários do hospital interessados no cursinho.
As mudanças não agradaram parte dos professores ouvidos pela FOLHA. As principais queixas são que as mudanças foram feitas ''de cima para baixo'' - sem discussão com os alunos e professores envolvidos. ''Nossa preocupação é a qualidade do ensino. A princípio, a redução do número de alunos é boa, mas não se discutiu a estrutura física e humana para manter a qualidade'', afirmou o monitor Felipe Canavese - bacharel em História e aluno da especialização. Além disso, de acordo com ele, a mudança ''jogou fora o regimento''.''Temos um regimento escrito, aprovado por coordenadores e que previa uma forma democrática de concepção pedagógica. Mas a decisão foi tomada sem ouvir os maiores interessados'', reclamou.
O monitor Rafael Kenji Kuriyama, que cursa especialização em Ensino de Sociologia, acrescenta que as mudanças foram feitas de última hora e de forma irrevogável. ''Não houve tempo para preparação. Ficamos surpresos até porque durante a campanha eleitoral a atual reitoria disse que o cursinho é um projeto que está dando certo e não sofreria mudanças'', afirmou Kuriyama.
Em 2006, aproximadamente 70 alunos do cursinho pré-vestibular da UEL conseguiram vagas no ensino superior.

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