Londrina

Josoé de CarvalhoRestriçãoO coordenador, Leandro Magalhães, diz que o serviço é destinado a quem nunca estudou em escola particularPara tentar democratizar o acesso ao ensino superior público, a Universidade Estadual de Londrina implantou, em agosto do ano passado, o Curso Especial Pré-Vestibular/UEL. Em média, cerca de 700 alunos procuram pelo serviço todo início de semestre. Mas nem todos chegam a devolver o formulário retirado no Núcleo de Bem-Estar Social da Comunidade. Segundo o coordenador administrativo do curso, Leandro Henrique Magalhães, cerca de 350 devolvem o formulário devidamente preenchidos.
Os que passam pela primeira triagem são submetidos a uma prova. Apenas os 150 primeiros colocados podem fazer o cursinho na UEL. A seleção dos alunos é rigorosa e para permanecer frequentando as aulas eles têm que seguir algumas regras. Para serem selecionados, eles devem ter renda per capita abaixo de três salários mínimos e nunca ter frequentado escola particular.
‘‘Não podemos correr o risco de oferecer vaga para quem pode pagar cursinho’’, observa. Para não ser desligado, o aluno não pode ter mais que três faltas não justificadas por mês. As aulas são realizadas de segunda à sexta-feira à noite, no sábado à tarde e no domingo de manhã.
Em média, 80 alunos frequentam as aulas até o fim. Os resultados alcançados nos vestibulares são animadores, segundo o coordenador. Da primeira turma, dos 80 que ‘sobreviveram’ à maratona, 24 foram aprovados em vários vestibulares. Da segunda turma, que também terminou com 80 alunos, 24 já têm vaga garantida na UEL. ‘‘Estamos aguardando a segunda chamada e esperamos que mais uns 20 entrem’’, prevê Leandro.
Os coordenadores do cursinho também comemoram duas primeiras colocações em vestibulares da UEL: um em Educação Física e outro no curso de Física. Magalhães observa que a maioria dos alunos do cursinho da UEL procuram por cursos da área de humanas, dando preferência para os de licenciatura (História, Letras, Geografia e Educação Física, um dos mais procurados).
‘‘Entendemos a busca por esses cursos que, geralmente, são menos concorridos. E, pela área de humanas, por causa de uma deficiência da escola pública. A linguagem empregada em aula pelos professores da área de humanas é mais acessível, mais próxima do dia-a-dia dos alunos. Já na área de exatas e biológicas, os conceitos são muito vagos, distantes do cotidiano deles. Não há laboratórios nas escolas, por exemplo, para facilitar a compreensão’’, cita Leandro. Segundo ele, os instrutores têm um trabalho de apresentação dos cursos e forma de atuação no mercado de trabalho para os alunos do cursinho.
As aulas são dadas pelos próprios alunos da instituição, que passam por uma seleção. Os aprovados são submetidos a um curso de três semanas no Núcleo de Tecnologia Educacional da UEL, para aprender como lecionar. Ao todo, são 30 instrutores para 150 alunos. Cada um recebe uma bolsa de R$ 150,00 por mês.
Além das aulas, eles têm uma outra responsabilidade: com a implantação do Projeto de Tutoria, cada um dos instrutores está responsável por cinco alunos. A intenção é dar um atendimento mais personalizado e zerar o índice de evasão do curso. ‘‘Nosso objetivo é que não haja evasão, em virtude do próprio caráter público do cursinho. O instrutor deve acompanhar de perto o grupo pelo qual é responsável’’.

mockup