Cursinho é alternativa para jovens carentes
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quarta-feira, 02 de março de 2005
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Há alguns anos, um grupo de estudantes do Centro de Atendimento Integrado à Criança (Caic) da Zona Sul de Londrina sugeriu a criação de um cursinho pré-vestibular para jovens de famílias carentes, sem condições de pagar uma escola particular. A idéia não foi adiante, mas ficou na cabeça do empresário Ederval Guerreiro, que era professor da instituição. Ele decidiu então tomar a iniciativa e criou um cursinho. A primeira turma foi formada em julho de 1999.
Hoje, o cursinho de Guerreiro ostenta um desempenho respeitável: em cinco anos e meio, 642 pessoas concluíram o cronograma de aulas; 456 prestaram vestibular e destes 95 passaram na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e 29 em outras faculdades públicas. Em 2005, dos 107 estudantes que passaram pelo cursinho, 32 foram aprovados na UEL e três em vestibulares de outras instituições públicas.
E muitos conseguiram vagas em cursos concorridos: Direito, Administração de Empresas, Enfermagem, Letras. ''Atendemos jovens de famílias extremamente carentes, que em alguns casos não têm dinheiro para pagar o ônibus para vir às aulas. Muitos acabam 'adotados' pelos professores'', conta Guerreiro. Os 28 professores são todos voluntários. As aulas são ministradas na sede antiga do Colégio Estadual Benjamin Constant, na Vila Portuguesa (Área Central), espaço cedido pela prefeitura. As despesas são custeadas por Guerreiro, patrocinadores esporádicos - ''bastante esporádicos'', frisa - e por uma mensalidade de R$ 10, paga apenas por quem têm condições.
Histórias de sucesso não faltam. ''Uma aluna de uma das primeiras turmas se formou em Letras e hoje dá aulas no próprio cursinho'', relata Eli Lombardi, professor de Matemática. O que move estes voluntários é um sentimento de retribuição. ''Vim de Araraquara (SP) para estudar história na UEL. Quem vem de fora sempre tem dificuldades, principalmente financeiras. Então dar aulas no cursinho é uma forma de retribuir à comunidade pela educação que recebi na UEL'', explica Luiz Carlos Manini, professor de Sociologia.
A jovem Vanessa de Moraes, 20 anos, mora no Jardim João Turquino (Zona Oeste). Ela sustenta a família: o pai não pode trabalhar porque está doente e a mãe é dona-de-casa. ''Meus irmãos estão casados e não têm condições de ajudar. Eu trabalho como agente de sa© úde, mas rescindiram meu contrato e vou começar a cumprir aviso prévio. Não sei o que vou fazer'', desabafa.
Mesmo assim, ela deposita esperanças num futuro melhor: estudou no cursinho de Guerreiro e passou no vestibular para educação artística da UEL. ''Se não tivesse estudado aqui, não teria passado nunca. Gostaria muito de ajudar o cursinho no futuro. Para retribuir toda essa atenção'', diz a jovem.
Os interessados no cursinho alternativo podem entrar em contato pelos telefones (43) 3342-7712 e 3341-6369.


