Cursinho da UEL também bate recorde de concorrência
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segunda-feira, 01 de julho de 2002
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
O vestibular não é mais o único obstáculo para muita gente que sonha com um diploma de terceiro grau para mudar de vida. Quem não tem dinheiro para pagar escola particular precisa enfrentar uma outra seleção a do cursinho gratuito. Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), a concorrência bateu recorde neste semestre e mais de 300 candidatos pré-aprovados ficaram sem uma vaga.
O Cursinho Especial Pré-Vestibular da UEL só pode atender 150 alunos, por isso, só os primeiros da lista de 596 candidatos selecionados estão frequentando as aulas. Os outros esperam por uma desistência para ter uma chance de estudar.
Um dos motivos para o aumento na procura de vagas do cursinho da UEL é o índice de aprovação no vestibular, que chegou a 30% no último concurso. Dos 109 alunos que concluíram o cursinho, 27 foram aprovados no vestibular da UEL, realizado no mês passado.
Lucimara Blanes, 18 anos, é uma das estudantes que estão na lista de espera do cursinho da UEL. Ela quase conseguiu a vaga. ''Meu maior desgosto foi não ficar entre os 150 primeiros. Fiquei muito decepcionada. Se eu tivesse acertado mais uma pergunta estaria dentro da sala de aula'' lamentou. Lucimara quer prestar vestibular para Ciências da Computação, mas a única chance de ser aprovada é através do cursinho gratuito da UEL.
Depois de terminar o colegial numa escola pública, Lucimara e a irmã começaram a trabalhar para sustentar a família. Os pais têm mais de 80 anos e não conseguiram se aposentar. ''Se eu fosse pagar cursinho gastaria metade do meu salário'', contou. Ela é funcionária de uma fábrica de equipamentos eletrônicos e ganha menos de dois salários mínimos. O jeito agora é esperar por uma desistência. ''É minha única opção, tenho que contar com isso.''
Na mesma situação está Hernadez Souza Cordeiro, 22 anos. Ele veio do Mato Grosso do Sul para estudar e quer fazer o curso de estilismo. Passou na primeira fase da seleção, mas ficou em 228º lugar na prova classificatória. Ele mora sozinho e trabalha como digitador para se manter. Assim como Lucimara, ele não pode pagar a mensalidade de um cursinho particular. ''Os mais baratos custam de R$ 80,00 a R$ 100,00 e isso é caro demais para mim'', lamentou.
Essa é a segunda vez que Hernandez tenta uma vaga no cursinho gratuito da UEL, mas a vontade de vencer é maior que a decepção. ''Eu tenho esperança de ainda conseguir uma vaga este semestre. Muita gente desiste e eu vou conseguir'', garantiu. Os dois candidatos acham que o número de vagas precisa aumentar. ''Falam tanto dessa universidade, ela é tão bem conceituada, acho que é preciso abrir pelo menos mais uma turma no cursinho'', sugeriu Hernandez.
Ontem à noite seria realizada a aula inaugural do cursinho, reunindo alunos e ex-alunos.


