Currículo atrelado à governabilidade
Conforme Adreana Dulcina Platt, doutora em Educação pela Universidade de Campinas (Unicamp) e professora adjunta do departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), não há como desvincular o programa curricular de um país da sua proposta de governabilidade.
''Hoje, não há perspectivas de ampliação de postos de trabalho para jovens desvinculados de bolsas-auxílio, por isso, a saída seria a introdução do ensino humanista mais agudamente ao ensino básico, oferecendo o ensino técnico a quem já exerce atividade laboral.''
Ela ressalta uma alteração atual e significativa em relação à organização curricular - a ampliação do ensino fundamental para nove anos, com o acesso de crianças a partir dos seis anos. ''O ensino tecnológico também passou por alterações significativas, uma vez que temos as graduações estendidas para as tecnologias e não só para bacharéis e licenciados.''
Segundo a educadora, vivemos a terceira década da sociedade da informação, num mundo com grande precarização e instabilidade no e do trabalho. Para ela, o governo deveria ofertar disciplinas voltadas ao estudo das humanidades, de cunho crítico, para adequar a sociedade aos novos princípios da produção.
''Não falamos só das disciplinas disponíveis nas grades de horários, mas da construção, acesso, transmissão e assimilação de conhecimentos, relações de força e participação da comunidade escolar nos rumos da política educacional'', comenta Adreana, lembrando que a introdução de sociologia e filosofia no ensino básico é uma reivindicação histórica dos licenciados das ciências humanas por demandas trabalhistas. (M.G.)





