Curitiva vai aderir a sistema nacional de registro de câncer
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segunda-feira, 23 de junho de 1997
Curitiba 
Um grupo de 44 profissionais da prefeitura e de 23 instituições de saúde de Curitiba iniciaram ontem, no Hospital Erasto Gaertner, um treinamento que possibilitará a implantação, em julho, do sistema de Registro de Câncer de Base Populacional (RCBP) na cidade. Com o sistema, o município passará a contar com um registro completo dos casos e da incidência local dos tipos de câncer. O programa é desenvolvido pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) com base no sistema da Associação Internacional de Registro de Câncer de Base Populacional. Para a chefe do serviço de registro de câncer do Inca, Lucília Pinheiro, a padronização internacional do RCBP permite que o Brasil possa participar das pesquisas e projetos internacionais que visam o controle da doença.
Além de aprender a operar o sistema, os participantes também serão capacitados para analisar as fontes de documentação médica que identificam a existência de neoplasias, codificar por meio da Classificação Internacional de Doenças os tipos de tumores, elaborar e divulgar relatórios técnicos e epidemiológicos.
Segundo a diretora do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, Eliane Maluf, a implantação do RCBP em Curitiba é de extrema importância para o desenvolvimento de ações específicas que, além de prevenir, permitam também acompanhar o tratamento dos pacientes.
Atualmente, o único registro da Secretaria Municipal da Saúde relativo à doença indica que as neoplasias são a segunda causa de mortes na cidade, com 1.338 óbitos no ano passado. Entre os hospitais, apenas o Erasto Gaertner possui um registro hospitalar dos casos de câncer.
Em Curitiba ainda não é possível determinar quais são as neoplasias que mais matam. Com o RCBP, será possível conhecer os tipos de câncer de maior incidência e desenvolver ações para preveni-los, explica Eliane Maluf. Assim que o sistema estiver implantado na cidade, as instituições participantes do curso enviarão periodicamente para a secretaria os registros relacionados aos novos casos de câncer.
Os números de mortalidade por câncer registrados em Curitiba confirmam os números nacionais, que apontam as neoplasias como segunda maior causa de mortes por doença entre a população. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer, os cânceres mais comuns no País são os de estômago, pulmão e mama. Estes levantamentos só são possíveis porque o Registro de Câncer de Base Populacional já foi implantado em cinco cidades brasileiras - Porto Alegre, Campinas, Goiânia, Belém e Fortaleza. Neste ano, além de Curitiba, outras quatro cidades estão implantando o registro: Rio de Janeiro, São Paulo, São Luiz e Natal.


