Mauro FrassonManoel Lobo da Silva separa o lixo reciclável em casa e quando anda nas ruas não resiste, fiscaliza se as floreiras estão regadas e dá bronca em quem corta árvoresOs politicamente corretos podem ser encontrados em vários lugares. Mas em Curitiba se tem a impressão de que eles estão por todos os lugares. Por aqui não é difícil conhecer dezenas de pessoas que separam o lixo reciclável para garantir a preservação de árvores, que não jogam lixo no chão para não sujar a cidade, que cuidam das flores e plantas mesmo que elas estejam nas ruas. Mas o que faz com que a capital paranaense se identifique mais com os politicamente corretos, ou vice-versa? A explicação, segundo a terapeuta comportamental, Suzana Lohr, é a caracerística de colonização da cidade, que recebeu imigrantes europeus de vários países. Segundo ela, aqui os PCs são vistos como ‘pessoas diferentes’, ao contrário do que acontece na maioria dos países da Europa. Na Alemanha, por exemplo, o pedestre que não atravessa a rua na faixa de segurança, recebe protestos dos motoristas que costumam buzinar. Mas para outros PCs, essa atitude também pode não parecer politicamente correta.
Mauro FrassonMirtes Soares de Almeida tem um guarda-roupa politicamente correto, com peças que seguem as tendências atuais, obedecendo a moda.Manoel Lobo da Silva é um típico seguidor de regras, mas daqueles bem humorados. Na casa dele, onde mora com a mulher e os filhos, no bairro Fazendinha, é ele que costuma separar o lixo reciclável dos outros resíduos que podem se decompor. Um tem o objetivo de evitar a degradação do meio ambiente e o outro ajudar na fertilização da terra. ‘‘Enterro o lixo que apodrece numa cova. Quando preciso de terra boa para plantar sei onde a encontro’’, explica.
As árvores, plantas e flores são a paixão de Silva e, por isso, ele costuma defendê-las com unhas e dentes. ‘‘Tenho muita preocupação com elas. Quando vejo alguém cortando um galho ou uma árvore, vou conversar para saber porque está fazendo aquilo’’, conta. Afinal, segundo ele, são vida e trazem benefícios para o homem.
Mauro FrassonComo procurador do Estado ou como cidadão comum, Joel Samways Neto fiscaliza desde os exageros das crônicas policiais até a qualidade da água e considera um elogio ser tachado de politicamente corretoPor trabalhar no horto municipal, onde são produzidas as flores que enfeitam Curitiba, Lima costuma avaliar as plantas por onde passa. Mesmo quando está a passeio pelo centro da cidade, ele pára para observar se as floreiras estão com a terra úmida o suficiente para manter vivas as flores.
Já os direitos humanos e a defesa do meio ambiente são as bandeiras de Joel Samways Neto, procurador do Estado. Na defesa de causas que considera importantes, ele integra o Instituto de Defesa de Liberdades Públicas, que se interessa por assuntos diferenciados. Entre as brigas que defendeu já estiveram os exageros das crônicas policiais e a qualidade da água de Curitiba.
Samways considera um elogio ser classificado como um politicamente correto. Mas para ele, as pessoas que agem seguindo as normas precisam tomar cuidado para não se tornar reféns de um padrão difícil de manter. ‘‘Se não tiver limite, a pessoa cai num extremismo que pode se tornar hipocrisia’’, comenta.
Mauro FrassonSuzana Lohr: colonização européia explica o comportamento curitibanoA pessoa que sempre anda bem vestida, com roupas que seguem as últimas tendências de moda, também pode ser considerada politicamente correta. ‘‘Ela mantém uma forma de se vestir que respeita regras, seja de tendência ou local’’, diz a terapeuta. A curitibana Mirtes Soares de Almeida, é uma PC da moda. Mas ela garante que é uma inicitiva natural. Vestida todos os dias de forma impecável, Mirtes conta que adora mini-saias e decotes. O gosto pelas roupas de modelos atuais a influenciou até na profissão. Ela é gerente de uma loja feminina num shopping center da cidade. (AR)

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