Curitibano não aceita migrantes
Guilherme Pupo
Mauro FrassonDiemenstein vai supervisionar livro com resultado da pesquisaDe cada cem curitibanos, 73 são favoráveis ao controle da entrada de migrantes na cidade. O dado faz parte de uma pesquisa feita por estudantes do colégio Positivo, com a supervisão de um profissional da área, para avaliar o nível de preconceito dos habitantes do município. Os resultados parciais da pesquisa foram divulgados ontem, durante o 2º Encontro Positivo de Informática na Educação (Plugue-se).
O questionário foi aplicado em 513 pessoas das classes A a E, de 35 bairros da cidade. De acordo com a pesquisa, 72,9% dos curitibanos são contrários à vinda de migrantes tanto de cidades do interior do Paraná como de outros estados brasileiros. Segundo os organizadores, a maior causa desse preconceito seria o crescimento do desemprego na região.
Apesar disso, o índice de preconceito é maior entre os curitibanos de classe social mais alta. ‘‘Até agora, o que descobrimos é que os mais ricos têm mais preconceito’’, observa o estudante Nikola Matevski, de 16 anos, um dos organizadores da pesquisa. Segundo ele, os dados ainda estão sendo tabulados.
Outro tópico abordado trata da separação da Região Sul do restante do País. Entre os pesquisados, 30% são favoráveis à separação, 51% são contra e 19% indecisos.
O resultado da pesquisa vai fazer parte do livro ‘‘Suicídio do Autor’’, organizado por uma equipe de dez alunos do Positivo, sob supervisão do jornalista Gilberto Dimenstein. O livro, que deve ser publicado até o final deste ano, trata da cidadania e vai abordar tópicos como violência, renda, mortalidade infantil, desemprego, população, desnutrição, urbanização, vícios e educação.
Egoísmo - O preconceito contra a vinda de migrantes para Curitiba, diagnosticado pela pesquisa, foi criticado pelo prefeito Cassio Taniguchi. ‘‘Impedir ou ser contra a vinda de migrantes para cá é um egoísmo muito grande. Na medida em que procuramos o desenvolvimento econômico, as oportunidades têm que ser abertas para todos’’, disse ontem o prefeito, ao ser informado da pesquisa.
Ele observa que muitas pessoas não migram ‘‘por vontade própria, mas muitas vezes são expulsas do campo e têm que encontrar novas oportunidades em outros locais’’. ‘‘Se observarmos em Curitiba, a maioria das pessoas é migrante. Se há desemprego, é necessário lutar para que esses empregos apareçam e não impedir a vinda de outras pessoas’’, avalia o prefeito.

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