Os curitibanos nem sempre são bons de cesta como mostra o comercial da Prefeitura de Curitiba. Na propaganda dos 306 anos da cidade, o jogador Oscar Schmidt fica surpreso com a pontaria dos curitibanos ao jogar o lixo na lixeira. Mas no centro e nos parques tem muito cestinha que acaba derrubando tudo no chão, sem recolher depois. Outros colocam a sujeira em recipientes errados, misturando o material orgânico com o reciclável.
Atualmente, o curitibano pode testar a pontaria em dois tipos de cestas de lixos: a de aço inox, com boca única, e a dupla, para separação do material orgânico do inorgânico. Ao todo existem mais de 1.500 na cidade, sendo que as duplas são usadas em parques e jardinetes e nas ruas estão 750 de aço. Mesmo com todo este aparato, a prefeitura carrega semanalmente três caminhões de coleta para juntar a sujeira nos 688 praças, jardinetes e locais de lazer, além dos 24 bosques. E quantidade maior é juntada na coleta e varrição das ruas.
Para a professora Vera Lúcia Lourenço, a imagem da propaganda, em que todos jogam lixo na cesta, ainda é distante de uma grande parcela dos curitibanos. ‘‘Acho que nem todo mundo usa as cestas e um número menor de pessoas deve separar o lixo nas lixeiras que permitem a reciclagem’’. Para o funcionário público, Olices Silvestre Bruno Júnior, a propaganda com o Oscar é bem feita, mas deveria ser mais agressiva para fazer as pessoas colaborarem com a limpeza da cidade. Ele conta que não joga sujeira no chão e ainda recicla o lixo em sua casa.
Mas o torneiro Luiz Carlos Solosinski não segue o mesmo exemplo. Ele conta que não presta atenção quando joga o lixo na rua. ‘‘Nem sempre tenho algo para jogar fora, mas quando surge alguma coisa nem me lembro de procurar um lixeira’’, diz. Nas raras vezes que usa a lixeira, ele não sabe em qual deve por o material orgânico e inorgânico.
O lixeiro Carmindo Cecílio de Mello, que cuida da região próxima do bosque João Paulo II, diz que é comum recolher lixo a poucos metros das lixeiras. Mas o que incomoda mais o lixeiro é que as pessoas misturam tudo, quando usam as lixeiras duplas. ‘‘O pessoal não sabe o que fazer, com isso sobra para gente ter que ajeitar as coisas’’, diz.
Como o sistema de separação de lixo não funciona, o lixeiro sugere que a prefeitura adote apenas a de boca única. ‘‘Fica mais fácil de se colocar nos carrinhos de coleta’’, afirma.Albari RosaOlices diz que a propaganda é boa, mas deveria ser mais agressivaIsrael Reinstein

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