Curitibano está com saudades do frio
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terça-feira, 17 de julho de 2001
Mônica Kaseker 
O curitibano tem orgulho do frio e, por causa do veranico deste ano, não tem muito do que se gabar. No fundo, meio frustrado, elogia o bom tempo, mas não aproveita o sol para um happy hour ou para passear ao ar livre. Já perdeu a graça. Imagina que já é hora de ranger os dentes ao sair na rua, procurar uma bebida quente e assistir na TV reportagens de sempre, como as que mostram as pessoas que não abrem mão dos exercícios físicos nem com geada e caminham pelas paisagens brancas do Parque Barigui.
Por mais que doa nos ossos, o frio é um diferencial dos sulistas. E em Curitiba é uma desculpa para desfilar casacos pesados, chapéus, cachecóis e mostrar o segredo do calor das ceroulas. O curitibano se sente meio europeu, procurando o sol no calçadão da Rua XV em dias de geada, tomando café na Boca Maldita e apreciando o vapor que sai na respiração. O frio é tão esperado que as pessoas correm o risco de se esquecer da população de rua, aquela que procura as marquises para dormir em grupo, sob um único cobertor sujo. Aquelas que podem morrer de frio.
E quando viaja para Estados mais quentes, em plena praia e tomando
água-de-coco, o curitibano é capaz de comparar, com orgulho e um ar nostálgico, o sol escaldante com a temperatura amena de sua cidade.
Isso tudo já poderia estar acontecendo, mas a cada previsão do tempo (e elas têm acertado) vem a decepção: a frente fria que avançava pelo Sul acaba se deslocando para o oceano. O curitibano continua esperando o inverno chegar de verdade e diz temer seu rigor quando ele finalmente chegar. Mas, no fundo, o que sente mesmo, é saudades do frio.


