Curitiba - Pesquisa realizada pela Urbanização de Curitiba (Urbs) mostrou que, em 24 anos, houve redução de 19,11% na proporção de usuários do sistema de transporte coletivo. Em 1978, 68% dos deslocamentos urbanos foram feitos de ônibus, enquanto que no ano passado esse percentual caiu para 55%. O aumento no número de veículos e o encarecimento das tarifas de ônibus são apontados pelo órgão, que administra o transporte urbano na Capital e Região Metropolitana, como principais razões dessa redução.
O diretor de transportes da Urbs, Euclides Rovani, afirma que o mesmo cenário se repete em todo o País. A política do governo federal de reduzir os impostos e juros para facilitar a compra de automóveis e, com isso, favorecer a indústria automobilística, fez aumentar o número de veículos em circulação, apesar do número de deslocamentos de carros ter crescido apenas 2% de 1978 para cá, passando de 26% para 28%.
Para Rovani, ''a política equivocada de aumento desproporcional do diesel'' e consequente encarecimento no valor das tarifas provocou a redução no número de usuários do sistema de transporte coletivo. Ele lembra que no ano passado o diesel sofreu reajuste de 99%, enquanto a gasolina subiu 40,5%. ''O governo federal privilegiou os ricos. Esperamos que o novo governo repense isso, pois com o crescimento no número de veículos as cidades ficam mais complicadas'', avaliou.
Outros aspectos que, segundo a Urbs, contribuíram para reduzir os deslocamentos de ônibus foram o crescimento dos setores de comércio e serviços nos bairros e a redução do número de passageiros no horário do almoço. Na comparação com 1995, atualmente são 420 ônibus a menos circulando nesse período.
Além da revisão nas políticas de governo para os combustíveis, os dados da pesquisa, segundo Rovani, indicam a necessidade de aperfeiçoamento do sistema de transporte coletivo, tanto em qualidade como em preço, para recuperar os passageiros que adotaram os automóveis como meio transporte. O diretor garante que a redução dos usuários não vai inviabilizar os projetos de modernização do sistema que incluem a criação de um novo eixo na BR-116 com ônibus biarticulados e a implantação de um sistema de transporte de alta capacidade.
Rovani adiantou que, este ano, a Urbs vai ''aumentar a prioridade para os ônibus''. Uma das propostas é de criar mais vias exclusivas para os coletivos, nos locais onde há grande circulação e problemas de congestionamento. Hoje, Curitiba têm 75 quilômetros de vias exclusivas.

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