Curitibana recebe marcapasso no cérebro
Miriam Karam
Especial para a AE
Uma paciente com Mal de Parkinson foi operada quarta-feira, em Curitiba, para a colocação de um marcapasso cerebral e já está andando. Terezinha Hank de Modesti de 62 anos, é a primeira paciente a sofrer uma cirurgia de estimulação cerebral profunda no Sul do País. De acordo com o neurocirurgião Murilo Meneses, que fez a cirurgia, a técnica é usada na França e foi aprovada nos Estados Unidos no ano passado. É um dos tratamentos mais eficazes para a doença, diz.
Um eletrodo é implantado no cérebro e ligado a um gerador implantado no tórax, perto da clavícula. O marcapasso é regulado por computador. O fato de ser regulável, segundo o médico, é uma das vantagens da técnica. A outra é a reversibilidade. Até então a cirurgia feita em pacientes de Parkinson provocava coagulação em um ponto do cérebro. O problema é que era um processo irreversível e em caso de erro poderia provocar paralisia.
O neurocirurgião explica que ainda não há cura para o mal, identificado há 183 anos. A doença continua sua evolução, mas após a cirurgia o paciente tem grande melhora na qualidade de vida e ganha uma sobrevida. Este último ano foi insuportável, há seis meses eu não andava, conta Terezinha de Modesti, com mal de Parkinson há 10 anos. Ainda internada, ela conta que sofria muito com tremores e os membros travavam quando tentava fazer movimentos. Já não sinto nada disso, afirma.
O mal de Parkinson, uma doença degenerativa no sistema nervoso, atinge uma em cada grupo de 400 pessoas. A incidência da doença aumenta acima dos 50 anos - um caso em cada cem pessoas. Meneses, chefe da cadeira de Neuroanatomia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que o mal de Parkinson em si não mata. Mas a invalidez do paciente acaba por provocar quedas ou infecções fatais.





