Curitibana integra tribunal de guerra
A procuradora curitibana Cristina Schwansee Romanó, de 37 anos, foi indicada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para integrar o Tribunal Penal Internacional, que julga criminosos de guerra da ex-Iugoslávia. Ela é a primeira representante da América Latina no Tribunal, composto por juízes e promotores de diversas partes do mundo. O tribunal, criado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, é o primeiro no gênero desde os processos de Nuremberg e Tóquio, no final da segunda Guerra Mundial.
Cristina Romanó é procuradora da república há 10 anos e está lotada em Curitiba, onde sempre atuou na área criminal. Filha de família tradicional na cidade, ficou conhecida por mover vários processos contra pessoas consideradas poderosas, como as que integraram a ex-diretoria da Telepar no período que foi comandada pelo ex-deputado federal Paulo Cordeiro, acusado de diversas irregularidades.
Ela embarca na próxima semana para Haia, na Holanda, onde está sediado o Tribunal. Sua função é coordenar a equipe de promotoria encarregada de investigar crimes de guerra e violações aos direitos humanos na província de Kosovo, atualmente considerada a maior área de tensão na região da ex-Iugoslávia. Eventualmente, Cristina Romanó poderá viajar à região de conflito para investigações locais.
Cristina foi selecionada pela ONU após concorrer a seis vagas de promotor com candidados de todo o mundo. Entre os requisitos exigidos para ocupar o posto estava o período mínimo de dez anos de formada em Direito, passagem de pelo menos quatro anos na promotoria na área criminal, experiência em investigação policial, domínio do inglês e francês e conhecimentos de informática.
O tribunal foi criado em maio de 1993 e atualmente tramitam diversos processos envolvendo 83 acusados. Entre os presos está o genocida general sérvio Radislav Krstic. Outros genocidas continuam sendo procurados, como o lider sérvio nos massacres da Bósnia-Herzegóvina, Radovan Karadzic, e seu principal general e comandante militar, Ratko Miadic. Eles são acusados de praticar crimes hediondos, onde 3 mil refugiados entre bósnios muculmuanos foram executados e enterrados e mais 6 mil estão desaparecidos.
Cristina Romanó acredita que, a partir da experiência obtida em Haia, deverá ser criado um tribunal internacional permanente da ONU para os crimes de guerra e genocídio.





