''Curitiba vive um momento crucial''
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sexta-feira, 11 de dezembro de 1998
Israel Reinstein 
Curitiba estaria em um momento decisivo de seu crescimento. Esta avaliação do arquiteto e urbanista Jorge Wilheim, responsável pelo plano diretor da cidade, de 1965, que lançou ontem o livro O Caminho de Istambul. O livro narra os bastidores da Conferência da ONU sobre Assentamentos Humanos, Habitat II, em 1996, em Istambul (Turquia). Wilheim afirma que com o crescimento de Curitiba - transformando-se de cidade em metrópole - este seria um momento de reflexão e revisão dos projetos futuros.
O arquiteto considera que até o momento o plano inicial foi aplicado com inovação e criatividade, mas o processo começou a se esgotar, quando a cidade atingiu um milhão de habitantes. Ele acredita que agora as escalas de resolução de problemas mudaram e precisam ser reinventadas. Acredito que o Ippuc e a Comec devem estar enfrentando a nova realidade.
ReproduçãoWilheim lançou ontem o livro O Caminho de IstambulUma das dificuldades futuras seria a demanda do transporte. Como em outras partes do mundo, estaria crescendo a presença do carro nas ruas, por diversas razões. Por isso, a solução de atrair a população para o transporte comunitário apenas com o aumento da oferta não seria mais a resposta. O automóvel hoje é um símbolo de status, que pode modificar as relações sociais e de amizades, avalia. Porque estabelece sentimento de autonomia, individualidade e liberdade.
Wilheim considera que restringir o acesso de carros a determinadas regiões de uma cidade não apresenta bons resultados. Para Curitiba, o arquiteto propõe a implantação do metrô como alternativa para a demanda de transporte.
Outro ponto a ser atacado seria a habitação, que hoje não atende grandes faixas da população. Segundo Jorge Wilheim, é preciso financiamentos para este segmento. Quanto à segurança, ele considera um problema social. A falta de perspectiva de vida e de acesso ao consumo atinge muito os jovens. Por isso, um trabalho social, em especial, sobre aqueles não cooptados pelas gangues e grupos criminosos seria importante. Mas o maior problema é a falta de solidariedade nas metrópoles. Apesar desse cenário, Wilheim se diz confiante no futuro.


