Rubens Burigo Neto
De Curitiba
O ‘‘derrame’’ de moedas falsificadas de R$ 1,00 está causado prejuízos à maioria das empresas de transporte coletivo de Curitiba. ‘‘No ano passado, até dezembro, as moedas falsas eram poucas. Mas de lá para cá temos tido um prejuízo de R$ 120,00 a R$ 130,00 por dia com moedas de R$ 1,00 falsificadas’’, revelou Gerson Bueno, que trabalha no Departamento de Arrecadação da Viação Cidade Sorriso. Na quarta-feira, contou Bueno, a empresa perdeu R$ 132,00 com as falsificaçãoes.
Ele informou que a maior parte das moedas falsificadas é recebida à noite. ‘‘Antes era mais difícil de identificar quais eram as moedas falsas porque elas tinham bom acabamento. Há alguns dias começamos a perceber com mais facilidade as falsificações porque o material usado é diferente, mais leve e com muitas falhas de impressão’’, explicou. Bueno disse que, empilhadas, nove moedas falsificadas ficam da mesma altura de dez moedas originais.
O encarregado da arrecadação da Auto Viação Nossa Senhora do Carmo, Eugênio Zaid Neto, lamentou que, desde dezembro, a empresa já tenha acumulado um prejuízo de mais de R$ 1 mil com as moedas falsificadas. ‘‘Por dia recebemos de 90 a 100 moedas de R$ 1,00 falsas.’’ O problema também está afetando a Auto Viação Nossa Senhora da Luz. ‘‘As moedas falsificadas são recebidas principalmente à noite, nas linhas que circulam em bairros da periferia de Curitiba. Diariamente, de cada 100 moedas que arrecadamos aproximadamente 30 não são verdadeiras’’, informou o controlador de arrecadação da empresa, Oswaldo Chevonica.
Apesar da preocupação das empresas, o gerente interino de meio circulante da Delegacia Regional do Banco Central, Aran Rutz Júnior, assegurou que o maior índice de falsificação está ocorrendo com as cédulas de R$ 10,00. Ele admitiu, porém, que o BC sabe que a partir da metade de 1999 aumentou a circulação das cédulas falsificadas de R$ 10,00. Até 30 de novembro do ano passado o BC reteve R$ 197.622,00 delas em todo País, sem contar com São Paulo, que responde por 55% da circulação de dinheiro falso. ‘‘Desde 1998 recolhemos R$ 30 mil em moedas falsas no Paraná e Santa Catarina (estados onde o escritório regional do BC atua). A circulação delas é mais localizada e, para os leigos, são de difícil identificação’’, justificou.
Rutz informou que os falsários usam o mesmo material – aço inox – das moedas originais. ‘‘Para falsificar moedas eles compram o refugo da indústria de facas do Rio Grande do Sul’’, revelou. O diretor do BC disse que as principais diferenças entre as moedas verdadeiras e as falsificadas está nas bordas internas e externas. Nas falsas, internamente, são mais altas. Quando vistas de cima, lado a lado, a borda da moeda falsificada não apresenta os recortes nos cantos existentes nas originais.Empresas de transporte coletivo são as mais prejudicadas. De cada 100 moedas recebidas em alguns ônibus, cerca de 30 são falsificadas
José SuassunaLUCRO FÁCILAs moedas de R$ 1,00 e as notas de R$ 10,00 são as preferidas pelos falsificadores, segundo o BC

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