O terceiro pronto-socorro de Curitiba deve começar a funcionar daqui a três meses, afirmou ontem a diretora-geral do Hospital do Trabalhador, Marilise Borges de Brandão, durante a inauguração da nova ala do hospital. Atualmente os dois prontos-socorros, dos Hospitais Cajuru e Evangélico, têm sobrecarga de pacientes, embora a Secretaria Municipal de Saúde negue.
O diretor clínico do Hospital Evangélico, José Antonio Maingué, disse que é comum pacientes ficarem em filas todos os dias à espera de vagas, até mesmo para receber os primeiros atendimentos. Muitos são encaminhados, segundo ele, para o Hospital das Clínicas e o Angelina Caron.
As histórias do peão Edi Marcos Dorneles Menezes, 22 anos, e do aposentado por invalidez José Euclides Benda, 41 anos, ilustram o problema. Natural do Rio Grande do Sul, Menezes fraturou o tornozelo esquerdo ao desmontar de um cavalo. Chegou ao pronto-socorro do Hospital Evangélico às 15h30 e quase duas horas depois ainda não havia sido atendido.
Sentado no sofá da sala de espera, Benda e a irmã Juraci, 43 anos, amargavam mais de duas horas de espera. Os dois tinham saído às 8 horas de Rio Negro (Sul do Paraná), onde moram, para buscar tratamento para um tumor no esôfago de Benda. Chegaram ao Evangélico por volta das 14h30 e não tinham sido atendidos até às 16h45.
Para o diretor do Centro de Assistência à Saude, da Secretaria de Saúde de Curitiba, Romeu Bertol, casos como o de Menezes e Benda devem ser definitivamente extintos com a abertura do pronto-socorro do Hospital do Trabalhador, na região Sul da cidade. Bertol disse que os quatro postos de atendimento 24 horas, que realizam 40 mil atendimentos por mês, em média, já reduziram os problemas. Ele defende, porém, a necessidade de conscientizar a população para evitar acidentes e acredita que o Código de Trânsito Brasileiro foi um avanço nesse sentido.
A diretora do Hospital do Trabalhador e o diretor clínico do Hospital Regional também acreditam que o novo pronto-socorro deve desafogar o atendimento nos outros dois. Como auxílio aos três pronto-socorros contam ainda com a Central de Leitos, da Secretaria de Saúde, que tem cadastrados seis mil leitos em 70 hospitais da região. Bertol afirma que atualmente os pacientes que não possuem vaga na capital são transferidos para esses hospitais. Ao contrário do que diz Maingué, ele garante não haver falta constante de leitos, mas apenas em momentos de pico nos finais de semana.Daqui a três meses, Hospital do Trabalhador inaugura seu pronto-socorro, desafogando o Evangélico e o Cajuru

Marcelo Almeida




CríticoJosé Euclides Benda, 41 anos (acima), saiu às 8 horas de Rio Negro com a irmã Juraci para buscar tratamento para um tumor no esôfago. Duas horas depois de chegar ao Hospital Evangélico, ainda não havia sido atendido. Com suas novas instalações, o Hospital do Trabalhador pretende se tornar uma referência no atendimento a acidentes de trabalho (foto inferior)

Os 4 postos de saúde
municipais 24 horas
atendem 40 mil
pacientes por mês

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