Curitiba vai sediar o 1º Encontro da Família Gay
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sábado, 18 de abril de 1998
Guilherme Vieira 
Arquivo FolhaReis: Todos querem uma famíliaToni Reis vive uma união estável há nove anos, é professor de inglês e coordena um grupo que trabalha na luta por direitos humanos. Acredita na fidelidade e procura no casamento confiança, sinceridade e carinho. Ele pensa em adotar uma criança, mas acha que, apesar de estabilidade emocional, alcançada em 33 anos de vida, ainda precisa conseguir segurança financeira e tempo para dedicar à educação do filho. Quando a adoção acontecer Toni estará vivendo em uma família ideal? Se você está pensando que sim, ainda falta uma informação: Toni vive com um homem, o tradutor David Harrad, de 40 anos.
Mas, afinal, como perguntaria o professor, quem não quer ter uma família e qual delas é perfeita? Para discutir os conceitos do que é uma família e tentar diminuir a rejeição contra aqueles que fazem a opção pelo casamento gay, será realizado em Curitiba nos dias 1 e 2 de maio, o 1º Encontro da Família Gay. Participam 15 casais homossexuais de diversos Estados do Brasil. As igrejas não quiseram participar das discussões. A católica por questões hierárquicas e as evangélicas Assembléia de Deus e do Evangelho Quadrangular, por serem contrárias à pratica do homossexualismo e defenderem a conversão para curar o que consideram uma doença.
No Congresso Nacional, a maioria das argumentações contra a união legal de homossexuais sustenta-se na defesa da família e na tese de que as uniões homossexuais oficializadas representariam uma ameaça à instituição familiar tradicional.
E as recusas não ficam apenas por conta de instituições religiosas e políticas. As próprias famílias dos homossexuais têm dificuldades em aceitar uma formação familiar diferente da tradicional. A discriminação acontece na própria família que não aceita o casamento (de gays), revela Reis. Eis a luta dele e dos outros casais que participam do encontro: querem diminuir a intolerância e o preconceito. Reis usa um argumento forte para justificar a luta: Todo mundo quer ter uma família.
Mesmo com tanta convicção, às vezes é difícil para os casais gays encarar de frente a sociedade. Seis casais de Curitiba que vão participar do encontro, por exemplo, não assumem a homossexualidada no dia-a-dia por medo de perder o emprego, de sofrer boicotes na empresa e da discriminação social. O debate acontece na Praça Osório 77, 5º andar (Centro), e terá a presença de educadores, sociólogos, psicólogos, sexólogos, terapeutas familiares.


