Curitiba
A partir desta segunda-feira começa a ser implantado em Curitiba o Registro de Câncer de Base Populacional (RCBP), um sistema de dados que vai reunir informações sobre a incidência da doença e seus impactos sobre a população da cidade. Os resultados servirão de base para direcionar campanhas de controle e de prevenção.
Os dados dos registros hospitalares e de laboratórios no Paraná alertam para o aumento dos casos de câncer nos últimos nove anos. Na primeira análise, de 1988 a 1992, foram diagnosticados 30 mil casos de câncer em 15 laboratórios de anatomia patológica. No período seguinte, entre 1993 e 1996 - período com um ano a menos do que o anterior - os casos já somam 30 mil.
O presidente da Liga Paranaense de Combate ao Câncer, Luiz Pedro Pizzatto, diz que o aumento de casos é preocupante. ‘‘Precisamos desencadear campanhas de prevenção, principalmente as anti-fumo. O fumo responde por 36% dos casos de câncer’’, adverte.
Os tipos de câncer com maior incidência entre os homens no Paraná são o de pele, seguido de câncer de boca, de pulmão, próstata e esôfago. ‘‘O que mais mata é o câncer de pulmão’’, esclarece Pizzatto.
Nas mulheres, os tipos de câncer mais comuns são os de mama e de colo de útero, seguidos do câncer de pele, estômago e intestino. ‘‘A constituição física da mulher favorece a constipação intestinal. Por isso as substâncias nocivas ficam mais tempo em contato com as paredes do intestino’’. Para prevenir o problema, Pizatto aconselha uma alimentação rica em fibras e vitaminas C, A e E.
Em todo o País apenas cinco cidades já têm o RCBP. Em Porto Alegre (RS), onde o sistema existe desde 1987, a taxa de incidência de câncer de pulmão é duas vezes mais alta do que em outras cidades do País. ‘‘Isso comprova que o fumo é a principal causa de câncer entre os gaúchos’’, afirma a chefe do serviço de epidemiologia do Instituto Nacional do Câncer, Marise Souto Rebelo.
Segundo a especialista, é importante reunir os dados dos laboratórios, dos hospitais e os de base populacional para monitorar o avanço da doença. ‘‘Isso trará resultados a longo prazo. O que pode ser feito imediatamente são campanhas de prevenção e de orientação’’, conclui.

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