Curitiba usa técnica abolida na França
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terça-feira, 03 de dezembro de 1996
Elisa Carneiro 
A forma de tratamento do lixo hospitalar com incineradores móveis e fixos, que começa a ser usada em Curitiba, tem prazo até 1998 para ser desativada na França. A técnica francesa Sylvie Geissmann, responsável para a América Latina da Agência de Meio Ambiente e do Controle de Energia (Ademe) apresentou ontem, em Curitiba, a experiência francesa a respeito do tratamento de resíduos sólidos.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) emitiu, em novembro, a licença para a operação dos incineradores em Curitiba. Segundo o secretário municipal do Meio Ambiente, Sérgio Tocchio, dois desses incineradores foram testados durante um ano e meio e com o resultado, foi feito o Relatório de Impacto Ambiental (Rima), que resultou na licença de operação.
O Rima comprovou que o equipamento não é poluente e devemos colocar em operação, nos próximos dias, os outros quatro caminhões comprados no Japão. Com o avanço da tecnologia, suspendemos a compra de uma central de tratamento de lixo hospitalar para analisar melhor a tecnologia de microondas, que parece ser a mais adequada, argumentou. Os incineradores serão utilizados em baixa escala, com rigoroso monitoramento, diz, ao contrário da França que usa o equipamento em grande escala.
De acordo com Sylvie, na França a legislação estabelece o que denomina-se de poluidor-pagador. Quem polui paga na mesma proporção do material poluente produzido. As taxas são bastante altas e as indústrias têm que instalar filtros de alto nível.
Ela considera Curitiba, de uma maneira garal, à frente do processo de classificação dos resíduos. A alternativa dos catadores com carrinhos próprios é uma das soluções que deve voltar a ser utilizada na França. Em Paris, os catadores eram comuns entre 1900 e 1920 mas desapareceram com a evolução da coleta com caminhões e agora devem voltar numa tentativa de combater o desemprego e promover a classificação rigorosa para a reciclagem, explica.
Outra diferença entre França e Brasil é a cobrança da coleta nos hospitais. O lixo hospitalar é separado e classificado detalhadamente e as taxas de coletas são bastantes caras. Aqui paga-se uma pequena taxa de limpeza urbana mesmo porque os hospitais não têm recursos financeiros suficientes para atender suas necessidades básicas, comenta o engenheiro sanitarista Luiz Antônio Bertussi Filho.


