Curitiba tem quase um acidente por dia com ônibus
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quinta-feira, 02 de abril de 2009
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Só nos dois primeiros meses deste ano, foram registrados em Curitiba 52 acidentes envolvendo ônibus do transporte coletivo - dois deles fatais. Ou seja, em cerca de 60 dias, a cidade registrou quase um acidente por dia.
De acordo com o Batalhão da Polícia de Trânsito (BPTran), em janeiro foram 12 atropelamentos com vítimas, 38 acidentes de outros tipos (colisões, choques, etc.) com feridos e 16 apenas com danos materiais. Já em fevereiro, foram sete vítimas de atropelamentos e outros 30 acidentes com feridos e 15 sem. Os números de março ainda não estavam finalizados.
Na tarde da última quarta-feira, Leonora Tunes de Souza, 25 anos, foi atropelada por um biarticulado na Avenida República Argentina. Nos braços, trazia o filho de 1 ano, que sofreu ferimentos na cabeça e permanece internado no Hospital Evangélico em estado gravíssimo, correndo risco de morte. O quadro da criança não sofreu evolução e o bebê continua respirando por aparelhos. A mãe sofreu apenas alguns arranhões e feriu o pé. Segundo a assessoria do hospital, ela está bastante abalada com o ocorrido.
De acordo com Cláudio Mariano Cordeiro Filho, gerente de tráfego da Viação Redentor, empresa responsável pelo ônibus envolvido no acidente, Leonora teria atravessado fora da faixa de pedestre no momento em que o veículo passava. O motorista ainda diminuiu a velocidade -não o suficiente para evitar o choque. A batida foi de raspão, em um dos lados do biarticulado, mas acabou por derrubar a criança no chão.
O motorista do ônibus foi encaminhado para a Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran) para prestar depoimentos e depois liberado. Ele deve responder inquérito de lesões corporais. Este, no entanto, ainda não foi aberto na Dedetran. Na empresa, Cordeiro Filho diz que o motorista foi isento da culpa pelo acidente. Já a mãe da criança deve receber um seguro. ''Normalmente passamos o ocorrido para a seguradora, que ressarce a vítima, independente da culpabilidade'', diz o gerente.
Outros casos de acidentes com ônibus ganharam destaque. Um deles aconteceu na manhã do dia 28 de janeiro deste ano, quando Cleonice Ferreira Golveia, 29, casada e mãe de duas filhas, saiu de casa para trabalhar, mas não chegou a seu destino. A auxiliar de serviços gerais morreu depois de cair de um ônibus ligeirinho e ser atropelada pelo próprio veículo. Segundo testemunhas, o ônibus estava tão cheio que a porta acabou cedendo à pressão e se abrindo. O acidente aconteceu na Vila Verde, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).
A outra morte também foi registrada na CIC, quando um homem veio a falecer depois de ser atropelado por um ônibus. Outro caso que ganhou repercusão foi o do biarticulado que, depois de uma colisão com um carro na Avenida Visconde de Guarapuava, acabou indo parar dentro de uma revendedora de motocicletas.
O treinamento dos condutores visa evitar casos como o ocorrido nesta semana. De acordo com o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), cada empresa de transporte coletivo é responsável pela preparação de motoristas e cobradores. Além de um treinamento extenso, os condutores passam por uma reciclagem a cada dois anos. Mesmo com os cursos dados pelas empresas, as aulas de formação e reciclagem obedecem a uma série de regras que seguem um padrão contido na legislação.


