Vivian de Albuquerque
Já acostumados com os vendedores de balas, guarda-chuvas e acessórios para veículos, os motoristas de Curitiba estão sendo obrigados a se habituarem também com um novo tipo de ‘‘moda’’ nos semáforos das principais ruas da cidade: as campanhas de solidariedade. Em troca de canetas, adesivos, balões e até mesmo mudas de árvores nativas, é cada vez maior o número de pessoas que tentam arrecadar dinheiro para entidades sociais existentes ou não.
Na esquina da Avenida Presidente Carlos Cavalcanti, no centro da cidade, palhaços e faixas coloridas chamam a atenção de quem pára ou passa pelo semáforo. A campanha, há algumas semanas nas ruas, visa arrecadar fundos para a Casa Shalom. Em troca de um balão colorido, o motorista dá quantias variadas. O resultado é uma arrecadação diária que varia de R$ 90,00 a R$ 150,00. ‘‘Nós damos um lar para 30 pessoas que tiramos das ruas e das drogas’’, conta a voluntária Josiana Skrenkovicz. ‘‘Os balões e os folhetos são distribuídos independentemente de a pessoa ajudar ou não’’.
‘‘O problema é que os motoristas já estão tão acostumados com os pedidos nas sinaleiras, que nem abrem mais o vidro’’, complementa Marcos Magalhães do Projeto Resgate EV7, atuando na esquina da Rua Coronel Dulcídio com a Avenida Batel.
O projeto arrecada dinheiro para o tratamento de drogados, mas o voluntário denuncia que há muitos outros que não passam de ‘‘fachada’’. ‘‘Eles não usam uniforme e nem crachá, mas abordam os motoristas com o mesmo tipo de diálogo que usamos’’, explica Magalhães. ‘‘Acredito que sejam pessoas que já tenham passado por entidades de recuperação e que aprenderam como é o nosso trabalho, fazendo ele de má f钒.
Trabalho proibido - Permitidas pela Secretaria Municipal de Urbanismo apenas nas calçadas e praças, mediante o uso de uma licença especial que confirma a filantropia das entidades, as campanhas, assim como qualquer outro tipo de abordagem, são proibidas nos semáforos. Problema que se agrava ainda mais diante do grande número de aproveitadores que resolveram adotar a técnica como uma nova forma de mendigar.
‘‘Nós temos quatro equipes volantes e um total de 80 fiscais para controlar essas pessoas’’, contabiliza Luiz Fernando Jamur, secretário de Urbanismo. ‘‘Mas é um trabalho de formiguinhas, dificultado pelo tamanho da cidade. O que fazemos, quando descobrimos um destes grupos, é apreender os produtos distribuídos nos semáforos’’. Segundo o secretário, para retirá-los, o proprietário ou entidade tem que pagar uma multa de R$ 35,00.
Já quando a pessoa usa o nome de uma entidade inexistente, o caso passa de um mero desconhecimento da lei, para uma questão de polícia. ‘‘É uma típica contravenção penal’’, esclarece Jamur. ‘‘Mas a polícia só pode agir, quando há uma denúncia. Como os motoristas nem sabem que é proibido usar os semáforos para distribuir ou vender materiais, também nem se preocupam em conferir se as campanhas são idôneas’’.
De acordo com a Secretaria de Urbanismo, é muito difícil calcular o número de apreensões já feitas até agora nos semáforos de Curitiba, porque elas incluem desde os produtos de vendedores ambulantes, passando por panfletos comerciais até os produtos trocados nas supostas campanhas. ‘‘Mas uma coisa é garantida, fazemos várias apreensões todos os dias’’, completa o secretário.
Problema que, segundo ele, poderia ser evitado, caso as entidades sérias tivessem um interesse maior em regularizar a situação das arrecadações. A própria secretaria dispões de dois boxes na Rua da Cidadania Matriz, na Praça Rui Barbosa, destinados especialmente às entidades assistenciais. ‘‘É só elas se cadastrarem e esperarem pela vez para usá-los’’, esclarece Jamur. ‘‘Muitos destes produtos que estão sendo trocados nos semáforos poderiam ser vendidos ali facilmente’’, conclui.Nos principais cruzamentos da cidade é comum encontrar grupos pedindo dinheiro em troca de caneta, bala e até muda de árvore
Kraw PenasAbordagemO Projeto Resgate EV7 arrecada dinheiro para o tratamento de drogados. Integrantes do grupo reclamam da concorrência

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