Curitiba tem mil poços irregulares
O grande número de poços artesianos perfurados clandestinamente está preocupando a Superintendência de Recursos Hídricos do Paraná (Suderhsa), que faz um alerta sobre a qualidade duvidosa da água retirada de fontes abertas de maneira irregular. Conforme projeções da Suderhsa, em Curitiba existem mais de mil poços clandestinos, perfurados sem a anuência da Suderhsa.
Atualmente, apenas 160 poços estão cadastrados pelo órgão, número que representa aproximadamente 10% do total de fontes irregulares em Curitiba. Norberto Ramon, do Departamento de Gestão de Recursos Hídricos da Suderhsa, explica que esses poços estão principalmente em condomínios, indústrias, hospitais e motéis. Dos poços que possuem a autorização da Suderhsa, a maioria está em condomínios residenciais.
A grande preocupação da Suderhsa está relacionada com a qualidade da água dos poços irregulares, que podem oferecer riscos à saúde da população. De acordo com Ramon, a qualidade dessas águas torna-se duvidosa a partir do momento que a Suderhsa não conhece as análises químicas e biológicas do material retirado.
Apesar de serem prefurados a uma profundidade que, teoricamente avalizaria a qualidade da água, os testes do material são necessários para a certificação técnica de que ela poderá ser consumida sem nenhuma espécie de tratamento. Outro problema diz respeito a possibilidade de infiltração de água da superfície, situação que pode interferir na qualidade do material retirado da fonte.
A situação vivida em Curitiba, com o grande número de poços irregulares, também ocorre em outras regiões do Estado. Porém, o número de irregularidades em todo o Estado, que deve seguir a proporção de Curitiba, não é estimado pela Suderhsa. Em todo o Paraná, de acordo com a Suderhsa, existe aproximadamente 4 mil poços perfurados de maneira legal.
A Suderhsa possui um departamento responsável pela fiscalização desses poços. Em casos de irregularidades, o condomínio ou empresa onde existe o procedimento ilegal é notificado para regularização da situação. Caso a notificação não resolva, a Suderhsa pode multar e até mesmo embargar a obra, lacrando de maneira temporária ou definitiva o poço irregular.
Contudo, coloca Ramon, a fiscalização da Suderhsa é feita dentro do que a estrutura do órgão permite, ficando difícil detectar a maioria dos casos irregulares. Para a Suderhsa, o caminho é a conscienteização do usuário, que ao verificar situações ilegais, devem fazer a denúncia à Suderhsa. O usuário precisa entender que ele é o principal interessado na questão, já que é a sua saúde que está em jogo, alerta Ramon.





