Curitiba tem 'cidades' dentro da cidade
O crescimento da população de Curitiba vem fazendo com que os bairros ganhem mais infra-estrutura e fiquem menos dependentes do centro tradicional. Hoje, dos 75 bairros existentes na capital, pelo menos 20 próximos ou distantes da área central funcionam quase como outras cidades dentro da cidade, com condições de oferecer produtos e serviços aos seu moradores. Segundo o supervisor de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Ricardo Bindo, a estruturação das regiões evita deslocamentos desnecessários, melhorando a qualidade de vida do município em geral e possibilitando economia de tempo e dinheiro.
O Sul da cidade, que tem o processo de ocupação mais recente e apresentou maior crescimento nos últimos anos, é a região da vez quando se fala em estruturação. Muitos bairros já têm sua relativa independência. Outros estão aprimorando ou iniciando seu processo de autonomia, pelo menos no que diz respeito às atividades básicas.
O Sítio Cercado cresceu em população, principalmente nos últimos dez anos, e vem melhorando sua estrutura. Afastado do centro tradicional da cidade, viu a necessidade e a possibilidade de ter seu própio centro.
Em 1970, o bairro tinha 993 moradores. Praticamente nada se comparado a 1996, quando já tinha 89.034 habitantes. O crescimento não pára. Em cinco anos (1991-1996), a população aumentou em 70%. Uma das causas do crescimento foi o surgimento, há sete anos, do Bairro Novo - um assentamento oficial da Prefeitura Municipal de Curitiba dentro do Sítio Cercado. Só no Bairro Novo, a administração regional da prefeitura estima que existam 55 mil moradores. No início, eram 18 mil.
Segundo dados levantados em 1997, o Sítio Cercado já tinha 60 indústrias, quatro estabelecimentos de atacado, 511 de varejo e 69 prestadoras de serviços. O maior número de indústrias é dos setores de vestuário, calçados e artefatos de tecido. O varejo tem 179 estabelecimentos na área de produtos alimentícios, bebidas e fumo. A parte de serviços é basicamente de hotéis e alimentação.
O comércio e os serviços do Sítio Cercado se concentram hoje na rua Isaac Ferreira da Cruz. Ali há farmácias, lojas de móveis e eletrodomésticos, supermercados e lanchonetes, entre outros. Segundo o coordenador técnico da Regional Bairro Novo, Vinícios José Bório, para o Sítio Cercado ficar completo ainda faltam bancos e restaurantes. Hoje, só há uma agência bancária no Sítio Cercado.
Nos limites - O comerciante Ismael Leite, 45 anos, que mora há quatro anos no Sítio Cercado, diz que falta ainda uma boa loja de confecção. Mesmo assim, ele e a família procuram fazer todas as obrigações no próprio bairro. Faço tudo por aqui. Se saio para ir ao centro, levo um dia, afirma. Só vou para lá quando tenho que resolver alguma coisa em imobiliária ou para viajar.
Leite tem uma loja de brinquedos e bolsas na região, a mulher trabalha como vendedora no bairro e os filhos estudam por perto. O programa dos finais de semana também fica nos limites do Sítio Cercado.
A estudante Gisele Aparecida Ribeiro Cherbinski, 16 anos, passa a maior parte do tempo no bairro. Estuda, faz ginástica e compras no Sítio Cercado. Ir ao centro, só uma vez por mês.
Emprego - O Sítio Cercado está se estruturando para atender à demanda da população, mas ainda não há emprego suficiente para absorver a mão-de-obra existente na região, segundo Ricardo Bindo. O emprego não está localizado na região. É preciso incentivar a instalação de outras atividades. Hoje, os empregos se limitam ao comércio.
Paulo Xavier de Almeida, 27 anos, trabalha como vendedor numa loja de móveis. A mulher, Sônia, 26 anos, não teve a mesma sorte. Conseguiu emprego só no centro da cidade.





