Curitiba tem 75 acidentes de bicicleta por mês
Curitiba tem 75
acidentes de
bicicleta por mês
Ciclistas de Curitiba, que usam o veículo para passear ou como meio de transporte são unânimes em reconhecer a boa estrutura da cidade, mas ainda assim insatisfatória para garantir a segurança e o acesso a todas as regiões. As reclamações vão também contra os motoristas, que não respeitam quem anda de bicicleta e não isentam nem os próprios ciclistas, já que uma parte ainda não aprendeu a pedalar com cuidado, respeitando os outros ciclistas e seus espaços na cidade.
Os números sobre acidentes com ciclistas em Curitiba mostram que as reclamações têm fundamento. Até setembro deste ano, aconteceram em média 75 acidentes por mês na cidade, contra 48 no ano passado. Até setembro o Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) registrou 677 acidentes em 1999, mais do que em todo ano passado, quando ocorreram 571 acidentes.
Eu conheço pessoas que não andam de bicicleta por medo. Os ciclistas carecem de educação para usar a bicicleta com segurança e os motoristas não têm nenhum respeito, diz o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Paulo Perna, de 49 anos. Já os irmãos Robson Antonio do Nascimento, de 22 anos, e Orlando Silveira do Nascimento, de 18, que trabalham como jardineiros e trafegam pela cidade toda com suas bicicletas procuram andar sempre pelas ciclovias. Andar de bicicleta na rua é muito perigoso, afirma Robson.
O metalúrgico Antonio Proença, 37 anos, que mora no Boa Vista e diariamente vai e volta de bicicleta ao seu local de trabalho, no bairro São Lourenço, acha que, antes de mais nada, andar de bicicleta é saudável e prático. Ir para o centro é rapidinho, pena que não tenha um bicicletário para a gente estacionar as bicicletas, diz. Paulo Perna, que mora no centro, também acha que o grande problema é a falta de vias próprias no centro da cidade.
Perna e Proença são exigentes também no quesito segurança. Perna já caiu em ciclovias por causa de buracos. Proença caiu porque a roda dianteira de sua bicicleta ficou presa em um bueiro. A lei diz que o ciclista tem que estar a menos de 50 metros do meio-fio, mas é impossível andar assim, diz Proença.
O arquiteto Nakamura, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), que costuma passear de bicicleta, também critica os motoristas e ciclistas e acha que a sinalização e alguns locais das ciclovias podiam ser melhores. (M.G.)





