Com um perfil cada vez mais gabaritado, do ponto de vista do grau de escolaridade, a fila dos candidatos a uma casa na Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab-CT) não pára de crescer. Pelos números fechados no mês de março, existem 63.775 pessoas cadastradas esperando a oportunidade para melhorar as condições de moradia. Levando em consideração os números da Região Metropolitana, a fila sobe para 69.828 candidatos.
Uma das curiosidades apontadas pela Cohab, é o número de candidatos com curso superior. De acordo com Sérgio Abu-Jamra Misael, diretor-presidente da companhia, 2,51% das pessoas que estão na fila possuem curso superior. Além disso, a grande maioria dos candidatos, com um índice de 47% do total de inscritos, já concluiu pelo menos o 1º Grau.
A partir do momento em que esses candidatos, pelo menos teoricamente, constituem-se em pessoas mais conscientes, na avaliação de Sérgio Misael esse perfil de escolaridade contribui para o pleno desenvolvimento dos projetos da Cohab. O fato de a pessoa estar realmente interessada em constituir moradia fixa, ajuda a evitar a inadimplência, um dos principais problemas enfrentados hoje pela Cohab.
Outro ponto considerado positivo pela companhia, é que aproximadamente 45% dos inscritos estão numa faixa etária entre 25 e 35 anos, o que representa que são candidatos novos, que estão começando a vida em família. Ainda com relação a essa questão, Sérgio Misael disse que metade dos mais de 60 mil inscritos são mulheres, demonstrando que elas estão cada vez mais participantes economicamente na manutenção da família.
Parcerias - Apesar do grande número de inscritos e da aumento da qualificação dos candidatos, por causa da falta de recursos, enfrentada pelas dificuldades financeiras, a Cohab está enfrentando problemas para disponibilizar imóveis aos candidatos. A maior parte dos projetos da companhia precisa ser desenvolvida em parceria com iniciativa privada.
Como as habitações demandam recursos financeiros mais elevados, hoje o principal produto oferecido pela Cohab é o lote urbanizado. Sérgio Misael explicou que a companhia tem disponibuilizado habitações, mas esclareceu que os lotes urbanizados se constituem atualmente no principal produto oferecido pela Cohab.
De acordo com Misael, este ano uma das prioridades é o programa de Regularização Fundiária, que tem por objetivo atender interesses das famílias que moram em áreas invadidas. Através desse trabalho a Cohab está tentando regularizar terrenos irregulares, sejam eles de propriedade privada ou do Estado.
A companhia está cadastrando mais de 30 mil famílias que moram em áreas ilegais, para tentar vender esses terrenos para os atuais moradores. Essas famílias se tornariam mutuários da Cohab, com um prazo de até dez anos para pagar pela área. No caso das pessoas que possuem moradia próximas a rios, barrancos e outras áreas de risco, a Cohab está estudando uma maneira de relocar essas famílias para locais que ofereçam mais segurança.
A Cohab não está enfrentando dificuldade nesse trabalho, a partir do momento que houve uma constatação de que aproximadamente 40% das famílias que moram em áreas irregulares já estão inscritas na fila de espera da companhia.

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