Luciana Pombo
De Curitiba
A cada quatro horas, uma pessoa é vítima de morte violenta em Curitiba e região metropolitana. São seis mortes por dia e cerca de 167 por mês. Os dados foram fornecidos pelo legista do Instituto Médico Legal (IML), Nizan Pereira, ex-secretário de Estado da Saúde. As mortes violentas são provocadas, na sua maioria, por acidentes de trânsito ou por homicídios, agressões e suicídio.
De acordo com o estudo realizado por Pereira, a violência é a principal causa de morte entre os jovens de até 30 anos. A classe social também influi no tipo de morte violenta. Os de classe média e alta morrem – preferencialmente – em acidentes de trânsito. Os jovens mais pobres morrem como vítimas de assassinatos. ‘‘A situação é lamentável. Os mais pobres geralmente morrem por problemas relacionados a gangues e tráfico de drogas’’, diz o legista.
Entre os principais pontos de venda de crack e cocaína, já delineados por ele, estão a Vila Oficinas e Vila Trindade (Curitiba), Cachoeira (Almirante Tamandaré) e Zumbi dos Palmares (Colombo). ‘‘A busca por espaço é um fator preponderante para o aumento da violência entre as gangues. É necessário que se atue nas bases, reconhecendo e desmontando os pontos de venda de drogas’’, afirma.
Apesar da média de homicídios de Curitiba ainda ser inferior a da América Latina (40 para cada 100 mil habitantes), ela está acima da média mundial, que é de 16,5 para cada 100 mil habitantes. Em 1997, Curitiba registrou 21 mortos por 100 mil habitantes. Os dados da Delegacia de Homicídios da capital, segundo pesquisa feita pelo IML, mostram que em 1998 ocorria um assassinato a cada 48 horas. Neste ano, este índice aumentou para um homicídio a cada 36 horas. ‘‘Isto demonstra que a nossa cidade está, sem dúvida, cada vez mais violenta’’, diz ele.
Outra preocupação é com o consumo de álcool entre jovens e adolescentes, que aumenta o índice de criminalidade em Curitiba e região. Segundo uma pesquisa recente feita em conjunto por alunos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e legistas do IML, entre 60% e 70% dos casos de mortos por acidentes de trânsito tinham envolvimento com dosagem alcoólica acima da permitida (pedestre atropelado, atropelador ou motoristas envolvidos em acidente). ‘‘Isso reforça a tese de que a bebida é um incentivador da violência e que as blitze devem ocorrer, preferencialmente, durante o período noturno para dificultar os acidentes e mortes violentas’’, argumenta. Os acidentes ocorrem, geralmente, entre quinta-feira e domingo, sempre em período noturno.
Outro dado alarmante, divulgado no estudo de Pereira, é uma pesquisa feita pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebride). A pesquisa, realizada em dez cidades brasileiras – incluindo Curitiba –, demonstra que 50% das crianças com idades entre 10 e 12 anos já fizeram uso do álcool. O pior, segundo os dados do Cebride, é que a cada dez consumidores, um se torna dependente químico.Maioria das mortes acontece em acidentes de trânsito ou por homicídios, agressões e suicídios, segundo pesquisa
Arquivo FolhaMAIS VIOLÊNCIAEm 1998 ocorria um assassinato a cada 48 horas em Curitiba. Neste ano, este índice aumentou para um homicídio a cada 36 horas

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