Curitiba tem 48 cruzamentos rodoferroviários
Curitiba - O projeto batizado de Plano Diretor Multimodal foi apresentado recentemente pelo prefeito Beto Richa (PSDB) para um grupo de engenheiros, arquitetos e especialistas na área de construção civil, envolvendo o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea), Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Instituto de Engenharia do Paraná e Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Paraná.
A ideia é implantar uma conexão rodoviária, ferroviária, cicloviária, portuária e aérea, fora dos limites da Capital. O Plano Multimodal, além do apoio do Dnit, conta com aval de prefeitos da Região Metropolitana de Curitiba. Também molda-se perfeitamente aos planos da Capital sediar jogos da Copa do Mundo de 2014.
O projeto inicial desenvolvido pelo Instituto de Planejamento e Pesquisa de Curitiba (Ippuc) e o Dnit aceita modificações. Mas o cerne não deve mudar: trata-se da desativação do ramal ferroviário em Curitiba, Almirante Tamandaré e Pinhais, numa extensão de 41,2 quilômetros.
Entre as vantagens listadas, a saída dos trilhos de trem deve trazer mais espaço para bicicletas, carros e ônibus, reduzir os acidentes e a poluição sonora e, supostamente, promover melhoria ambiental e social nos municípios atingidos. Prevê-se que a desativação dos trens trará desenvolvimento econômico no entorno dos espaços que serão gerados com a retirada dos trilhos.
Um dos argumentos do projeto é o conflito existente entre trens e veículos. De acordo com a prefeitura, em Curitiba, há 48 passagens de nível (cruzamentos rodoferroviários).
O Ippuc também explica que o transporte de cal e cimento pelos trens, atualmente, cruza diversas zonas de alta densidade habitacional e muito próximas ao centro de Curitiba. Além disso, o ramal representa, segundo o projeto, "barreira ao incremento do sistema viário e ao funcionamento dos eixos de transporte, especialmente o Norte e o Leste".
Pelo projeto, a linha férrea dará lugar a uma grande ciclovia integrada à malha cicloviária da cidade. Entre outras benfeitorias, o Plano Multimodal pretende readequar a logística de transporte de cargas, abrangendo escoamento de produtos e rejeitos industriais da CIC, criação de "porto seco", otimização da malha utilizando os trens também para cargas recicláveis, resíduos da construção civil e lixo hospitalar.
O projeto também propõe relocar os moradores de Araucária (na RMC) que vivem em área de risco entre a ferrovia, a rodovia e a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), da Petrobras. Nessa área, poderia ser implantada a oficina da ferrovia, o terminal multimodal e o apoio operacional. Outra vertente, pelo lado leste, ligaria Piraquara a São José dos Pinhais, permitindo a ligação turística do Litoral até o Aeroporto Afonso Pena. (B.M.)





