Curitiba - A distribuidora de gás Prado e Santos, que explodiu anteontem a noite, no bairro Mercês, em Curitiba, tinha uma série de irregularidades. A mais grave refere-se à quantidade de botijões armazenados no local, que era bem superior ao limite estabelecido para sua categoria de funcionamento. Segundo levantamento feito pelo Corpo de Bombeiros, no local havia perto de mil botijões, quando o alvará de funcionamento, de classe I, permite o armazenamento de no máximo 40 botijões de 13 quilos, do tipo doméstico.
Outras irregularidades detectadas pelos bombeiros foram a existência de cinco veículos no pátio, sendo um caminhão, três caminhonetes e um automóvel, que eram usados para entrega do gás; e, ainda, o funcionamento de uma cozinha, o que também não é permitido. Os bombeiros também verificaram que havia um quarto na edificação, o que levanta a hipótese de que alguém poderia dormir no local, o que também é proibido.
''Com esse excesso de botijões, jamais esse tipo de revenda poderia funcionar em uma área residencial'', advertiu o tenente Leonardo Mendes Santos, relações públicas do Corpo de Bombeiros, lembrando que há diferentes categorias de revendas de gás, liberadas comnforme a capacidade de armazenamento. Cada uma tem regras específicas, que prevêem a localização do estabelecimento, afastamento de locais de grande aglomeração, como igrejas e escolas, entre outros itens.
Peritos do Instituto de Criminalística começaram, ontem de manhã, a análise no depósito para estabelecer as causas do incêndio. A previsão é que o laudo fique pronto em até 20 dias. Um inquérito policial deve ser aberto no 3º Distrito Policial, no bairro Mercês, para investigar os motivos do incêndio.
O proprietário da distribuidora, Arlei Reis da Silva, afirmou, ontem, que o incêndio começou com um curto-circuito no caminhão. ''Deu um curto-circuito e pegou fogo no tanque de combustível. O rapaz que estava aqui ainda tentou apagar com a camisa dele mas o fogo aumentou ainda mais'', contou. Sobre as irregularidades apontadas, Silva disse que os botijões em excesso estavam vazios, em cima do caminhão, para serem recarregados. Ele também afirma que os veículos não permaneceriam à noite dentro do depósito. Silva nega, ainda, que alguém dormisse no depósito. Segundo ele, seis pessoas trabalham na distribuidora, mas apenas até as 23 horas.
Segundo o presidente do Sindicato dos Revendores de Gás do Paraná (Sinregás-PR), José Luiz Rocha, a revendedora estava regularizada junto à Agência Nacional de Petróleo (ANP), onde está credenciada para funcionar como categoria 1, que prevê o armazenamento de no máximo 520 quilos de gás. Ele lembra, ainda, que não interessa se os botijões estão vazios ou cheios, a capacidade máxima permitida era de 40 unidades.
Rocha lembra, o maior problema não é o excesso de botijões. ''O que preocupa é a quantidade de revendas clandestinas existentes, muitas vezes em local de grande aglomeração, como mercadinhos, armazenados sem condições em fundo de bar, mercearias'', diz. Só em Curitiba e Região Metropolitana, conta, há cerca de 3 mil revendas irregulares, contra 600 empresas legalizadas. ''Quem tem o cadastrado, tem que seguir as normas da ANP, mas e os outros?'', questiona.

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