Curitiba tem 150 empresas de segurança clandestinas
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quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Há cinco anos, um morador do bairro Jardim Social, em Curitiba, contratou o serviço de uma empresa de segurança clandestina. Ele foi procurado em sua casa e disse que se sentiu coagido. ''Ele disse que se não contratasse, teria perigo de acontecer alguma coisa, algum assalto'', contou o morador, que pediu para não ser identificado. Depois, o morador percebeu que os vigias não eram capacitados, não apresentavam condições físicas adequadas e também não tinham estrutura material. Mesmo assim, ele demorou três anos para cancelar o trabalho, pois tinha muito receio. ''Depois de ver a campanha a favor de empresas legalizadas, contratei uma empresa credenciada na Polícia Federal e agora tenho um respaldo.''
Por medo, o morador não fez nenhuma denúncia contra a empresa, que é uma das mais de 150 clandestinas que atuam em Curitiba e Região Metropolitana, e que contam com aproximdamente 15 mil trabalhadores. São clandestinas aquelas que não possuem autorização da Polícia Federal (PF) para funcionar, não contratam vigilantes por meio de um processo de seleção sério e, em muitos casos, vendem o serviço de porta em porta, pela metade do preço. Além disso, não oferecem uma estrutura adequada e operam sem nota fiscal.
Na última operação da PF, 53 empresas clandestinas foram autuadas. Muitas delas funcionavam exercendo atividade diferente da autorizada pela PF e tiveram que regularizar sua situação ou encerrar o trabalho. ''Tivemos uma grande procura de empresas que queriam legalizar sua situação'', afirma o chefe da Delegacia de Controle de Segurança Privada da PF no Paraná, Marco Antônio Ribeiro Coura.
''Com a contratação de uma empresa clandestina, a pessoa pode levar um bandido para dentro de casa'', afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado do Paraná, Jeferson Furlan Nazáro. Um levantamento da PF mostra que atuam em Curitiba aproximadamente 80 empresas legalizadas, que contratam a mão-de-obra de 19,8 mil vigilantes em todo o Paraná. ''Quem contrata uma empresa clandestina paga por insegurança e sofre vários riscos com profissionais desqualificados, sem curso, mal remunerados e sem saber se ele tem bons antecedentes'', complementa o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região, João Soares.
Para o especialista em segurança Jorge Fernandes, a atuação das empresas clandestinas é possibilitada pelo desemprego, em que pessoas não qualificadas aceitam o trabalho, pela contratação deste tipo de serviço e pela falta de critérios de fiscalização mais rigorosos. De acordo com a Delegacia de Controle de Segurança Privada (Delesp), a fiscalização das empresas clandestinas acontece por meio de denúncias. Depois de verificado se a denúncia tem ou não procedência, a empresa é obrigada a regularizar sua situação ou fechar as suas portas.
Projeto
Com o objetivo de inibir ainda mais a atuação das empresas de segurança privada clandestinas, a Câmara Municipal de Curitiba aprovou esta semana um projeto de lei que determina a apresentação de documentação para a autorização de impressão de notas fiscais para Imposto Sobre Serviços (ISS) de empresas de segurança privada. ''O projeto ajuda e autoriza a prefeitura a fiscalizar e autuar as empresas. É mais um braço no combate à irregularidades'', afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado do Paraná, Jeferson Furlan Nazáro.


