Segundo os dados do serviço de zoonoses da prefeitura de Curitiba, atualmente cerca de 215 mil cães vivem na cidade, uma média de um animal para cada sete habitantes. O índice é compatível aos dos grandes centros urbanos do Brasil, mas é maior do que a média estabelecida pela Organização Mundial de Saúde, que é de um cão para cada dez habitantes. Dos cães que vivem na cidade, 20% são animais considerados errantes, ou seja, sem um proprietário e que vivem perambulando nas ruas. Outros 20% são os cães semi-domiciliados, aqueles que buscam alimento na rua e vão apenas dormir na casa do dono. ‘‘Estes são uma bomba atômica para a sociedade’’, adverte Maria Elizabete Ferraz, coordenadora do serviço de zoonoses da prefeitura de Curitiba.
A situação parece ainda mais grave, quando são analisados os dados sobre os casos de mordidas que são atendidos por postos de saúde da cidade. Em 1997, foram atendidas mais de 7 mil pessoas, 907 delas agredidas por cães nas praças, parques e vias públicas de Curitiba.
De acordo com Maria Elizabete, além da agressão, os cães que tem donos e, mesmo assim, perambulam pela cidade podem trazer doenças incuráveis para a casa do proprietário, como a raiva. ‘‘É importante que todos saibam que a raiva não tem cura nem para o cão nem para o homem’’, afirma. Ao todo, são cerca de 80 doenças que podem ser transmitidas aos homens pelos cães, as mais comuns são sarna, verminoses e dermatites.
Uma prática comum entre os donos de animais, de acordo com Maria Elizabete, é se desfazer do cão em médio prazo. Alguns são doados e acabam indo para as ruas por falta de cuidados. Outros donos são capazes de abandonar os animais em qualquer esquina da cidade. ‘‘Este tipo de atitude não ajuda a diminuir o problema, só aumenta os transtornos que temos para tentar reduzir o crescimento populacional dos cães’’, afirma ela.
Cada cão vive em média de 10 a 12 anos. As fêmeas entram no cio a cada seis meses e a cada ninhada, nascem cerca de seis a oito filhotes. ‘‘Imagine todos estes filhotes sendo criados na rua, em breve teremos uma cidade de cachorros’’, diz Maria Elizabete. De acordo com ela, as pessoas tendem a imaginar que o animal é um objeto descartável. ‘‘Acho que o crescimento da população canina na cidade se deve muito a falta de conscientização dos próprios proprietários’’, conclui.

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