Curitiba se torna praça de protestos
Giovani Ferreira
A partir de hoje Curitiba transforma-se em uma verdadeira praça de protestos, servindo de palco para diversas manifestações promovidas por estudantes, professores, pequenos agricultores e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). São militantes sindicais e representantes de vários segmentos organizados da sociedade, vindos de todas as regiões do Estado, que chegam à capital para protestar contra a política administrativa do governo Jaime Lerner.
Além dos quase mil sem-terra, que estão acampados em frente ao Palácio Iguaçu desde o último dia 8, entre hoje e amanhã devem chegar a Curitiba perto de dois mil professores e outros dois mil integrantes do MST. Conforme previsão das entidades sindicais envolvidas nas manifestações, amanhã os atos na capital devem reunir mais de dez mil pessoas, entre manifestantes de Curitiba e de outras regiões do Estado.
Todas essas mobilizações coincidem com o retorno do governador Jaime Lerner, que estava em viagem aos Estados Unidos e deve reassumir o governo na manhã desta quinta-feira. A volta de Lerner vem sendo esperada principalmente pelo MST, que pretende conversar com o governador sobre as diversas desocupações de áreas invadidas, que na avaliação dos integrantes do movimento estão sendo feitas de maneira violenta e irregular.
No caso dos professores, o retorno de Lerner não passa de uma mera coincidência, já que o protesto estava marcado antes da viagem do governador. Ao lado de todos os trabalhadores da educação, os professores reivindicam a aprovação de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para a categoria. Amanhã faz um ano que a APP-Sindicato entregou na Assembléia Legislativa um projeto para a elaboração de um PCCS. A manifestação da classe teve início na última sexta-feira, quando um grupo de 50 professores partiu em uma marcha entre Ponta Grossa e Curitiba.
Apoio estudantil - Aproveitando o dia de protesto, a União Paranaense de Estudantes (UPE) e a União Paranaense de Estudantes Secundaristas (UPES) estão chamando a classe estudantil para uma passeata pela ruas centrais de Curitiba, com destino ao Palácio Iguaçu. De acordo com Fernando Delicato, presidente da UPE, a entidade quer prestar solidariedade à luta dos movimentos sindicais, reforçando o protesto dos professores em prol de um ensino público de qualidade. Ontem, integrantes das duas entidades estiveram no acampamento dos sem-terra para manifestar apoio.
Os estudantes concentram-se a partir das 10 horas, na Praça Santos Andrade, enquanto os professores têm encontro marcado às 9 horas na Assembléia Legislativa. Os manifestantes das duas categorias reúnem-se com os sem-terra em um ato público unificado, que está previsto para ter início a partir das 14 horas, em frente a sede do governo estadual.Professores, estudantes, agricultores e sem-terra se reúnem a partir de hoje para realizar manifestações contra o governo
Kraw PenasProtestoConcentração de manifestantes acontece na Praça Nossa Senhora de Salete, em frente ao Palácio Iguaçu, onde o MST está acampado





