Sucursal de Curitiba

Arquivo FolhaPés no chãoCom 1.456.698 habitantes, Curitiba quer criar infra-estrutura para manter a qualidade de vidaOs feriados de Páscoa e o estilo reservado do novo prefeito, Cássio Taniguchi (PDT), se juntaram para fazer Curitiba passar, hoje, o mais tranquilo de seus aniversários nos últimos anos. A cidade completa 304 anos sem pompa nem grandes festas, mas cheia de desafios e expectativas sobre o futuro.
As poucas comemorações do aniversário foram antecipadas, por causa da Semana Santa. Longe da euforia comemorativa do antecessor, Rafael Greca, a gestão Taniguchi manteve apenas o calendário tradicional: uma maratona esportiva, passeio ciclístico e brincadeiras para as crianças nas ruas e parques, tudo nas semanas que antecederam a data do aniversário.
Para hoje, ficaram apenas as celebrações religiosas relativas à Páscoa, algumas delas ligadas à identidade de Curitiba. É o caso, por exemplo, da bênção dos alimentos, no bosque do Papa - uma tradição dos poloneses, colônia tão forte na cidade que, em 1981, fez o papa incluir Curitiba no seu roteiro pelo Brasil.
Aos 304 anos, Curitiba já não tem o perfil da cidade que recebeu levas de imigrantes no passado. Os que chegam hoje vêm para uma cidade em transformação no aspecto econômico, com uma cascata de efeitos sobre as áreas social e urbanística.
A mudança de perfil decorre, em grande parte, dos projetos de grandes montadoras de automóveis que vão se instalar na região nos próximos anos. Com 1.456.698 habitantes hoje, Curitiba deverá experimentar um crescimento acelerado nas próximas décadas e é para ele que a atual gestão procura preparar a cidade.
De acordo com o prefeito Cássio Taniguchi, 23 projetos estão sendo desenvolvidos para dotar Curitiba da infra-estrutura necessária aos novos tempos. Mas a preocupação, ressalta, não se restringe à capital: deve abranger toda a Região Metropolitana. ‘‘Criamos uma parceria efetiva com os prefeitos das cidades vizinhas, através da Coordenação da Região Metropolitana, e vamos procurar organizar a ocupação urbana que fatalmente ocorrerá na região’’, diz o prefeito.
De acordo com Taniguchi, o planejamento segue três eixos principais: geração de empregos, integração efetiva da Região Metropolitana de Curitiba e gestão compartilhada, envolvendo poder público, sociedade e iniciativa privada. É seguindo esses eixos que a prefeitura pretende manter a qualidade de vida oferecida em áreas como o transporte, e superar as deficiências que ainda afligem a cidade em setores como saneamento básico e trânsito.
De acordo com Taniguchi, toda a sua equipe se prepara para a Curitiba que está nascendo. ‘‘Estamos coesos e tremendamente motivados para o desafio do ano 2000. Até lá, certamente, vamos ter uma nova configuração de cidade’’, diz Taniguchi.

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