Para uns, a representação da alegria, como se soltasse a criança muitas vezes presa pelos compromissos do dia-a-dia. Para outros, o ‘‘descarrego’’ das tensões, preocupações, incertezas acumuladas durante um ano inteiro. Seja qual for a visão dos festeiros, uma coisa é certa: jogar quilos de papéis picados dos parapeitos das janelas tem a força de um culto. Foi assim ontem nos prédios de Curitiba, no final do expediente.
A festa que mais chamou a atenção dos passantes aconteceu na esquina do calçadão da Rua Quinze de Novembro com a Barão do Rio Branco. Funcionários da matriz da Seguradora Gralha Azul cobriram o chão de papéis picados, jogaram rolos de papel higiênico fazendo as vezes de serpentinas, e bexigas nas cores branco e azul (as cores da empresa).
Foram 2.500 bexigas disputadas por adultos e crianças. A turista Maria de Lourdes Lima pegou três para o sobrinho Lucas, de três anos. ‘‘A gente volta à infância, é uma festa bonita esta de vocês’’, disse.
Olga Spak, que paga aluguel numa casa de família, conseguiu balões para ‘‘as crianças de onde mora. ‘‘Não tenho sobrinhos, não tenho nada’’, contou. Talvez a ausência de parentes tire um pouco do otimismo: ‘‘Dizem que o Ano Novo vai ser bom, mas não sei... Tomara que venha bom’’.
O gari Lorimar Silva Ribeiro, pai de três filhos pequenos, apreciava o movimento. A chuva de papéis representava trabalho extra, mas até a limpeza fazia parte da diversão. ‘‘É bom tudo isso, é motivo de festa.’’
Enquanto isso, no 9º andar do prédio onde funciona a sede central da Seguradora Gralha Azul, Wellington Carlos Oliveira, Jane Aparecida da Silva e Josemar Guis juntavam-se aos cerca de 200 funcionários espalhados pelos outros andares, que promoviam a chuva. Há uma semana os departamentos vinham cuidando, paralelamente ao trabalho diário, da festa de final de ano.
Para Wellington, técnico de seguros, esta é a expressão do final de mais um ano. ‘‘É a alegria pelo trabalho, pelos objetivos conseguidos tanto da empresa como os nossos’’, explicou. Auxiliar-administrativa, Jane também é da opinião que esta é a expressão da alegria e augúrios de um próximo ano bom. O técnico Josemar Guis, quando lança papéis ao espaço, deixa ir junto o que houve de peso. Quer começar 99 com leveza no espírito, refeito na energia.
A celebração não é individual, como observou Wellington. ‘‘A gente passa um pouco de alegria para eles’’, disse apontando para as pessoas que se agitavam nas calçadas, nove andares abaixo.

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