Curitiba sacrifica em média 30 cães por dia
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terça-feira, 21 de novembro de 2000
Maigue Gueths De Curitiba 
O Canil Municipal de Curitiba sacrificou até setembro deste ano 8.146 cães, resultando em uma média de 30 mortes por dia. Entre estes, 5.743 foram recolhidos nas casas a pedido dos próprios donos que os encaminham para eutanásia. Outros 2.403 foram pegos abandonados nas ruas da cidade. A atuação da carrocinha, controlada pelo Setor de Controle de Zoonoses e Vetores da Prefeitura de Curitiba é polêmica. A coordenadora do serviço, Maria Elisabete Ferraz, afirma que a apreensão dos animais é necessária para controlar o aparecimento de doenças transmissíveis, em especial a raiva. Entidades de defesa dos animais consideram criminoso e cruel o sacrifício dos cães.
Toda essa polêmica encontra um ponto em comum: a falta de responsabilidade das pessoas sobre seus animais. Nós não gostamos de ter que matar os cachorros, mas as pessoas abandonam os cães nas ruas. É uma demanda muito grande e eles estão sendo maltratados nas ruas, diz Maria Elisabete.
Estima-se que existem cerca de 300 mil cães em Curitiba, o correspondente a um para cada sete habitantes da cidade. O número é superior ao preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera aceitável até um cão por dez habitantes. Há bairros onde a situação chega a cinco cachorros por morador e casas com até 12 cachorros, diz.
A Lei Municipal 699/53 prevê a apreensão de animais em vias públicas e estabelece o período mínimo de permanência nos abrigos em três dias para os cães e dez para animais de grande porte antes de serem encaminhados para eutanásia. Os cavalos escapam do sacrifício e são doados a entidades sem fins lucrativos.
Até setembro, o Canil Municipal apreendeu 5.294 cachorros mortos, principalmente por atropelamento. Outros 5.743 doentes foram recolhidos em residências a pedido dos proprietários e 4.656 foram laçados nas ruas pela carrocinha. Os doentes são encaminhados direto para eutanásia. Entre os apreendidos nas ruas, só 690 (15%) foram retirados de volta por seus donos e 515 (11%) tiveram a sorte de ser adotados por outras pessoas.
O destino do restante foi a morte: 718 foram doados para ensino e pesquisa nas universidades, cujo fim é o sacrifício, e outros 330 para o Laboratório Central do Estado (Lacen) para monitoramento da raiva. Os outros 2.403 foram mortos em câmara de gás.
Para o advogado da Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba, Alceu Waldir Schultz, a lei permite o sacrifício de animais encontrados pela carrocinha, mas ele defende um método mais humanizado para tratar do problema. Maria Elisabete garante que a eutanásia com uso de monóxido de carbono é usado em todo País, e é aceita pela OMS e Ministério de Saúde como um método que não causa angústia nem dor ao animal.


