Curitiba Duas fugas de presos movimentaram ontem as polícias Civil e Militar, em Curitiba. No 7º Distrito Policial (DP), na Vila Hauer, 23 presos fizeram um buraco na parte superior das celas da delegacia e conseguiram fugir por volta das 6 horas. O buraco foi feito com a ajuda de uma broca improvisada. Dois investigadores que estavam de plantão tentaram evitar a fuga efetuando 15 disparos em direção as paredes e os muros. Antes de sair, os presos ainda serraram as grades de sete celas. Horas depois, quando os policiais civis faziam a revista dos presos, o detento João Maria dos Santos conseguiu fugir, mas foi recapturado a cerca de uma quadra de distância.
''Não sabemos mais o que fazer. Toda semana temos que tapar buracos e tentar evitar fugas. Desta vez não tivemos como evitar. Fugir pela parte superior da delegacia se tornou fácil. Não existe mais condições para fazermos segurança destes presos'', desabafou ontem o delegado-adjunto do 7º DP, Ronald de Jesus. Há menos de um mês, outros 18 presos fugiram do mesmo DP.
O DP tem capacidade para abrigar 28 presos. Entretanto, estava com 75 pessoas no início deste mês. No momento, o local abriga 40 presos. A cadeia do 7º DP chegou a ser interditada há dois anos. Mas por causa da falta de vagas no sistema prisional, policiais dos distritos e delegacias especializadas continuam encaminhando os presos para a região. O distrito da Vila Hauer abrange uma área de cerca de 200 mil habitantes e registra uma média de 80 boletins de ocorrência por dia. A maioria por tráfico de drogas, furto e roubo. ''É uma área de risco.''
Diariamente são registrados entre dois e três flagrantes. ''Fazemos bate-grade diariamente. Mas faltam recursos humanos para garantirmos as condições de segurança dos internos'', avaliou Jesus. Ao lado da delegacia, alunos do Colégio Estadual Segismundo Falarj convivem com a insegurança e com o medo. ''A sensação é essa: de insegurança e de medo. As fugas somente aumentam nossa insegurança. Precisamos que a situação seja resolvida urgentemente'', afirmou ontem o diretor do colégio, Elson Ribeiro.
O secretário de Estado de Justiça e Cidadania, Aldo Parzianello, disse ontem que o problema de superlotação deverá ser resolvido em breve. Entre as alternativas viáveis, segundo ele, para solucionar a questão seria a aplicação de penas alternativas municipalizadas e a construção de novas unidades prisionais. Para 8 de janeiro de 2005, está prevista a inauguração da unidade em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, com capacidade para 900 presos. Também teriam sido autorizadas as construções de presídios em Piraquara, Londrina e Cascavel.
Na Delegacia do Adolescente, dez internos conseguiram fugir depois de agredir o educador com um estoque. Eles pegaram as chaves das celas. Até o final da tarde de ontem, apenas dois haviam sido recapturados.

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