Cinco crianças ucranianas vítimas da radiação da usina de Chernobyl, que explodiu em 1986, chegaram ontem a Curitiba para receber tratamento médico. Durante 60 dias, elas vão ficar na cidade, hospedadas em casas de famílias de descendentes de ucranianos, para conhecer um pouco da cultura brasileira.
Além disso, serão acompanhadas por médicos do Hospital Evangélico, que vão realizar o monitoramento da saúde de Oleana Nagorna, 11 anos, Ilariya Bilova, 9 anos, Anton Veritch, 12
anos, Hanna Tsenniova, 12 anos, e Hanna Vasselichina, 11 anos.
‘‘A vinda dessas crianças é um gesto de solidariedade do Brasil e de outros países que participam de um programa de integração de 1,5 milhão de jovens vítimas do desastre nuclear’’, disse o cônsul da Ucrânia em Curitiba, Valeri Gregoris. Pelo programa, os países cumprem duas funções: hospedar e ‘‘proporcionar uma alegria especial para cada criança’’.
Gregoris afirmou que elas já recebem tratamento médico nos hospitais ucranianos, por isso a vinda é mais para motivar as crianças. Atualmente, Cuba, Grécia e Espanha têm convênio com a Ucrânia. O Brasil aderiu ao programa na metade de janeiro.
A maioria delas é órfã. É o caso de Oleana Nagorna, 11 anos, que aos cinco perdeu o pai - um policial que participou da vistoria da usina, dias depois da explosão. A menina diz que gostou de ser escolhida para visitar o Brasil. Ela acredita que a sua família brasileira poderá mostrar um mundo interessante que não conheceria em sua escola. A ‘‘mãe curitibana’’ de Oleana, Ana Chudzijiz, conta que já preparou uma extensa programação, que, além de passeios, inclui visitas constantes ao Hospital Evangélico.
O diretor do Evangélico, André Zacharow, informou que cada uma das crianças vai receber um tratamento específico, que vai variar de acordo com quadro clínico. Segundo Zacharow, a saúde delas não é grave. Caso a experiência de Curitiba apresente bons resultados, o consulado da Ucrânia pretende trazer mais crianças ao Paraná. O Estado abriga 350 mil dos 400 mil ucranianos do País. Na capital, moram apenas 10 mil ucranianos e descendentes.

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