Curitiba recebe nova imigração européia, rica e qualificada
Quase no fim do século, uma nova onda de imigração está surgindo em Curitiba. Diferente da que formou a cidade, a nova leva de estrangeiros é formada por executivos e profissionais de diversas áreas técnicas, que estão se mudando para a cidade junto com as empresas que se instalam na Região Metropolitana. Como os seus compatriotas, que moldaram a estrutura da cidade, eles vêm de diversos pontos da Europa. São franceses, alemães, espanhóis e belgas e ainda os americanos.
Essas pessoas que estão se mudando para cá são totalmente diferentes dos pais da cidade, destaca o professor de História da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Sérgio Natalin. O imigrante da metade do século passado e início deste eram camponeses pobres. Os atuais são profissionais com boa qualificação técnica e nível financeiro mais elevados. Hoje eles também vêm em número reduzido.
A historiadora Oksana Boruszenko, diretora de Patrimônio Histótico e Cultural, órgão da Fundação Cultural de Curitiba, ressalta que os primeiros imigrantes de Curitiba vieram de países diferentes dos atuais. Basta dar uma olhada na lista telefônica de Curitiba e é possível perceber quais foram as etnias que moldaram a sociedade curitibana, sugere. Cheios de consoantes ou com muitas vogais, os sobrenomes de uma grande parcela dos curitibanos remete a quatro grupos étnicos - poloneses, ucranianos, alemães e italianos, além de espanhóis e portugueses.
O grosso da imigração em Curitiba foi formado por estas etnias, que chegaram ao Paraná no século passado, informa Oksana Boruszenko. Ela explica que os imigrantes vieram em levas diferentes, aventurando-se sozinhos ou estimulados pelo governo, que incentivou a vinda deles como compensação pelo fim da escravidão. Todos vinham em busca de dinheiro, comenta Sérgio Natalin. Isso tinha um motivo, já que os europeus que desembarcaram nos portos brasileiros eram pobres. O imigrante rico pagava de seu próprio bolso para ir aos EUA, conta.
A primeira leva de imigração aconteceu na abertura dos portos brasileiros, no início do século passado. Depois em maior escala, desembarcaram atraídos pela política do presidente da província, Lamenha Lins, na década de 70 do século passado. Lins traçou um plano de ocupação da cidade. A proposta era criar cinturões verdes e comerciais, distantes do Centro da cidade. Isso pode ser evidenciado nos bairros curitibanos, comenta. Num primeiro momento, vieram os alemães que passaram a morar no Centro e Mercês (Jardim Schaffer). Na década de 80, ainda no século passado, surgiram os italianos, que foram colocados em faixas do Água Verde e de Santa Felicidade. Na mesma época, começaram a vir os eslavos - poloneses e ucranianos. Os poloneses ficaram no Santa Cândida, Abranches e Pilarzinho e os ucranianos no Bigorilho. Nesses pontos, comenta a estudiosa, a tradição dessas culturas era bem marcante, inclusive no modo de vestir. Hoje existem apenas pequenos focos da história.(I.R.)





