Curitiba pode ficar sem ônibus
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de janeiro de 2002
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Motoristas e cobradores de Curitiba e região metropolitana estão decididos a cruzar os braços a partir da zero hora da próxima terça-feira, dia 22, caso as empresas de transporte coletivo não apresentem nenhuma proposta de reajuste dos salários. Alegando perdas salariais superiores a 25%, a categoria defende a equiparação com o piso salarial pago em Foz do Iguaçu, que é de R$ 895,00 para motoristas e R$ 537,00 para cobradores.
A alteração no salário inicial equivaleria a um aumento de 32%, considerando também o índice inflacionário do último ano. Hoje, os motoristas ganham R$ 688,00 e cobradores R$ 388,00.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Transporte de Passeiros de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Denilson Pires da Silva, a decisão de deflagar uma greve foi tomada na última assembléia, em 29 de outubro do ano passado, mês em que se iniciaram as negociações. A data-base da classe é novembro.
Pela categoria, a greve já teria acontecido em novembro, disse Silva. Segundo ele, o sindicato prolongou a negociação na tentativa de chegar a um acordo. Estávamos próximos a fechar em R$ 800,00 (o salário do cobrador corresponde a 60% dos vencimentos do motorista) e mais o plano de saúde, mas na última hora eles (donos das empresas) voltaram atrás, complementou.
Silva afirmou que na última rodada de negociações, ontem, na Delegacia Regional do Trabalho (DRT), o Sindicato das Empresas do Transporte Urbano Metropolitano de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana não apresentou nenhuma proposta, alegando impossibilidade de atender as reivindicações dos trabalhadores. O último reajuste da categoria, informou o sindicalista, foi de 6%, agregado aos salários em fevereiro do ano passado. O reajuste da tarifa em 2001 foi de 25%.
Na segunda-feira à noite, o Sindimoc promove uma nova assembléia para debater a organização do movimento ou repassar para a classe o posicionamento das empresas, caso apresentem alguma proposta entre hoje e segunda.
A Folha tentou ouvir o presidente do sindicato patronal, Orlando Bertoldi, mas até o fechamento desta edição não houve retorno das ligações. A Urbs empresa responsável pelo transporte coletivo informou que vai estudar um esquema especial que será divulgado assim que estiver pronto para que os usuários não sejam tão prejudicados com a greve.


