Especial para a Folha
Um carimbo comemorativo aos 119 anos do início da construção da Estrada de Ferro do Paraná será lançado hoje pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. A cerimônia, que será realizada na estação ferroviária de Curitiba, lembra o dia 5 de junho de 1880, quando o Imperador D. Pedro II veio à Província do Paraná para inaugurar a pedra fundamental, que deu início às obras da ferrovia entre Curitiba e Paranaguá.
O Imperador chegou à Paranaguá e foi recebido com todas as honras pelas pessoas mais importantes da Província. Ele jogou a primeira pá de cimento da pedra fundamental, onde foram enterradas moedas correntes, jornais do dia que noticiavam o início das obras e uma cópia da ata do evento.
A estrada foi construída em cinco anos, com a ajuda de 9 mil trabalhadores, sendo a maioria imigrantes europeus. Como a dinamite era pouco utilizada na época, quase 90% da estrada foi construída no braço. O resultado disso é uma construção perfeita que, mesmo 114 anos depois de pronta, ainda é considerada uma obra prima da Engenharia. Há três anos o Comitê Brasileiro da Indústria da Construção considerou a ferrovia uma das sete maravilhas da engenharia brasileira. A placa está no Santuário do Cadeado, no meio da Serra.‘‘Para a tecnologia existente na época, a construção da estrada foi uma ousadia’’, acredita o engenheiro Paulo Sidney Ferraz, chefe do escritório regional da Rede Ferroviária Federal (RFFSA).
São 110,38 quilômetros de ferrovia, com 13 túneis e 30 pontes. A mais famosa é a ponte São João, com 113 metros, formada por três pilares e com trilhos a 58 metros do fundo da grota. Outra atração da estrada é o viaduto Carvalho, que foi construido em curva, com os trilhos assentados entre os morros e o penhasco. Quando o trem passa por ele, não se vê o apoio dos trilhos, dando a impressão de que se está voando sobre a serra.
O passeio de trem pela serra atrai 200 mil passageiros por ano, segundo estimativas da Companhia Serra Verde Express, que opera o passeio. É a segunda atração turística do Paraná, perdendo apenas para as Cataratas do Iguaçu.

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