Curitiba não é mais segura
Curitiba não é mais segura
A mudança arquitetônica para impedir a presença dos sem-teto é considerada negativa pela arquiteta Josilena Gonçalves, professora da disciplina Teoria de Arquitetura na Universidade Federal do Paraná. Para ela, a arquitetura deveria integrar a sociedade. No entanto, ela pondera que este fenômeno reflete as angústias da comunidade em que vivemos.
A segurança e o medo são componentes que passaram a ser importantes no momento da concepção do projeto, destaca a arquiteta. Josilena diz que as construções antigas tinham outras preocupações. Por isso, ficam latentes as modificações realizadas, por que são um remendo, diz.
Josilena avalia que as modificações acontecem com maior frequência nos espaços comerciais ou públicos. Na Rua Vicente Machado, em frente ao Shopping Omar, uma clínica colocou grades no muro para evitar que pessoas sentem no local.
Mas o mendigo José Ubirajara Guimarães acredita que a repulsa das pessoas pelos moradores de rua vai além do medo. Os lojistas e a comunidade não nos enxergam como seres humanos, diz. Ele conta que há seis meses quase foi incendiado por vigias na Praça do Gaúcho. Numa noite, enquanto dormia na frente da lanchonete Pudim, um homem jogou óleo e ameçou três de nós a sair dali, senão nos queimava, relata. Segundo ele, esta tática vem sendo usada por vários vigilantes da cidade. É preciso tomar cuidado, porque Curitiba não é mais segura. (I.R.)





