Curitiba - Curitiba deve fechar o ano registrando cerca de 25 mil acidentes de trânsito, sendo 1,3 mil atropelamentos, o correspondente a 5% do total. A situação é drástica se for levado em conta que 40% das mortes nos acidentes de trânsito são resultantes de atropelamentos. Com esses números, a Prefeitura de Curitiba decidiu mudar o tema ''Celular: não fale no trânsito'' da Semana Nacional do Trânsito, e enfocar o programa em ações voltadas aos pedestres e motoristas na prevenção dos atropelamentos.
Até o dia 26, a programação vai envolver basicamente os alunos de 156 escolas municipais que, alternadamente, irão ao Centro de Convenção do Parque Barigui assistir apresentações de teatro, paródias, textos poéticos e ouvir músicas sobre o tema. Além disso, agentes do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), Detran e Diretran estarão ensinando regras de segurança no trânsito, como o uso correto das faixas de pedestres e semáforos. No local, as crianças também podem conhecer o funcionamento de equipamentos eletrônicos, como as lombadas e radares, e visitar o estande do Sistema Integrado de Atendimento a Traumas e Emergência (Siate).
Na cerimônia de abertura da semana, ontem de manhã, as escolas receberam o vídeo educativo ''Você e sua bicicleta'' a ser visto nas salas de aula. Dados do Siate de Curitiba mostram que, no ano passado, houve 1.510 vítimas de acidentes envolvendo bicicletas. Destas, 92%, o correspondente a 1.393 pessoas, tiveram que ser hospitalizadas e 22 pessoas morreram.
De acordo com o diretor do Departamento de Trânsito de Curitiba (Diretran), José Álvaro Twardowski, os atropelamentos estão reduzindo em Curitiba. Em 1976 eles correspondiam a 27% do total de acidentes, em 95 passaram para 10,5% e no ano passado estavam em 5%. Tardowski ressaltou, ainda, o custo social com os acidentes de trânsito. Em 2001, estas perdas em Curitiba foram de cerca de R$ 300 milhões (US$ 107 milhões). ''Seria o mesmo que cada morador tivesse pago R$ 200,00 pelos acidentes'', afirmou, lembrando que, apesar do valor alto, este custo também reduziu, caindo de US$ 82 por habitante em 1996 para US$ 65 no ano passado.
O prefeito Cassio Taniguchi (PFL) aproveitou a ocasião para anunciar a recuperação e ampliação das ciclovias. A prefeitura aguarda recurso do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) cerca de R$ 1,4 milhão para a revitalização dos 137 km existentes atualmente. Também está prevista a construção de 9 km de ciclovia na avenida JK, na Cidade Industrial de Curitiba, e 20 km na BR-116, entre os bairros Atuba e Pinheirinho.
Twardowski informou, ainda, que a campanha de orientação junto aos ciclistas que transitam as canaletas exclusivas para os ônibus continuará, pelo menos, até que o projeto de implantação de ''ciclofaixas'' paralelas às vias seja concluído. A proposta de ciclofaixas está em estudo no Instituto de Pesquisa e Planejamento de Curitiba (Ippuc) e deve ser implementada até o final do ano. A previsão é instalar entre 60 e 65 quilômetros de vias para ciclistas junto às estruturais Norte, Sul e Oeste. (Colaborou Andréa Lombardo)

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