Curitiba já tem excesso de ozônio no ar
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sexta-feira, 06 de dezembro de 1996
Da Sucursal 
O ar de Curitiba não é tão puro quanto parece. O ozônio, no inverno, excede os padrões limites toleráveis - de 80 partes por bilhão. Uma das soluções para o problema seria a criação de uma rede de monitoramento do ar.
A constatação é das coordenadoras do projeto ProAr, desenvolvido pelo Departamento de Geografia e Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ontem, as coordenadoras do programa e a professora Jean Forbes, da Universidade de Stratchclyde, na Escócia, participaram do Seminário de Estudos do Clima Urbano e Poluição do Ar, realizado no Centro Politécnico, em Curitiba.
A profesora Inês Moresco Oliveira, uma das coordenadoras do ProAr, disse que em períodos mais críticos, como no inverno quando os índices de poluição ficam mais altos, a taxa de ozônio já chegou a 120 partes por bilhão em Curitiba. O excesso desta substância no ar provoca dor de cabeça e ardência nos olhos, garganta e nariz, revela.
O ProAr monitora apenas a quantidade de ozônio no ar. O ozônio é um gás poluidor resultante das reações de hidrocarboneto e óxido de nitrogênio (emitido na queima de combustíveis).
Para o controle da qualidade do ar, além da rede de monitoramento, a professora Zióle Zanotto Malhadas, coordenadora geral do ProAr, defende maior integração entre órgãos públicos. O projeto tem de ser desenvolvido pela universidade, secretaria do meio ambiente e secretaria de educação, afirma.
A UFPR também deve firmar convênio com a Universidade de Stratchclyde, na Escócia, para intercâmbio de professores na área de poluição ambiental.
Zióle afirma que os custos para o monitoramento do ozônio foram baixos. Segundo ela, o kit usado pelo ProAr para monitorar o ozônio custa R$ 20,00. Os filtros são usados durante um mês.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) tem projeto para a instalação de uma rede de monitoramento do ar em Curitiba e Região Metropolitana. Segundo a chefe da Divisão de Tecnologia de Ambiental do IAP, Ana Cecília Nowacki, os recursos, de cerca de R$ 2,5 milhões, para criação da rede estão previstos no orçamento de 1997.
Hoje, o monitoramento do ar em Curitiba e região é feito por quatro estações - uma em Curitiba, na Praça Rui Barbosa, e três em Araucária. De modo geral, a qualidade do ar na cidade é boa, destaca Ana Cecília.


