Curitiba já registrou 1,1 mil acidentes com aranha marrom
Os números de acidentes com aranha marrom estão estabilizados desde 1997 em Curitiba. A tendência é de que o balanço dos casos em 98 fique abaixo do do ano passado. A diferença, estimada em 400 registros, não é motivo para comemorações entre os agentes de saúde.
A Secretaria Municipal da Saúde já computa este ano 1.100 acidentes, até o final de novembro. Em 97, foram comunicados 1.955 casos na capital. Os acidentes não têm aumentado, mas também não diminuíram muito, compara a supervisora do Centro de Informação Toxicológica da Secretaria Estadual da Saúde, Marlene Entres.
De acordo com a bióloga Gisélia Rúbio, 80% dos casos de acidentes com aranha marrom em todo o Estado acontecem em Curitiba. A concentração do aracnídeo na capital é uma sucessão de várias circunstâncias, como o clima e o costume das pessoas de deixar objetos guardados por muito tempo, explica.
A partir do mês de setembro, quando as temperaturas voltam a se elevar, a presença da aranha marrom começa a ficar mais constante. Este motivo está ligado ao período de reprodução da aranha e a proliferação de baratas, cupins e traças, que servem de alimento para ela. A aranha tem hábitos noturnos e costuma circular sempre pelo interior das casas.
A médica Marlene Entres, que este ano já atendeu cerca de 600 pessoas com reações depois do contato com a aranha marrom, prevê que o aracnídeo ainda será muito frequente entre os curitibanos. Segundo Marlene, esta previsão está ligada não só à inexistência de inseticidas capazes de exterminar a aranha - por causa de sua couraça externa, que impede a absorção do produto químico -, mas também às circunstâncias em que os acidentes ocorrem.
Em 86% dos casos que atendi, os pacientes que identificaram a aranha não haviam olhado a roupa antes de vestir, revela. Calçados e roupas são os alojamentos preferidos pelas aranhas.
Na maior parte dos casos a pessoa não sente a picada. Os primeiros sintomas começam a aparecer, conforme Marlene, seis horas depois. Queimação na área picada, onde a pele fica escura, além de dor de cabeça e febre são os principais efeitos. (D.V.)





